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Monumentos podem ser tombados

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Imponentes, emblemáticos e símbolos da história da cidade, os monumentos estão a um passo de ser tombados pelo patrimônio da cidade. O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Condepac) está avaliando a possibilidade de inclui-los na lista de benfeitorias protegidas pela entidade.

O projeto foi apresentado ao Conselho pelo jornalista e historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, que está fazendo um levantamento detalhado de todas as obras desse tipo espalhadas pela cidade. “Temos de definir quem vai cuidar desses monumentos que representam a história de Bauru”, afirma.

Ele ainda não contabilizou quantos desses exemplares existem pela cidade. Mas já sabe que o trabalho tem de ser feito com certa urgência, devido ao estado de abandono de muitas peças. “Há muita depredação e descaso com relação a esses ícones do município”, avalia.

A mudança de valores ocorrida na sociedade nas últimas décadas é apontada como a responsável por essa situação atual. “As coisas mudaram muito. Hoje em dia, as pessoas já não dão tanto valor aos lugares públicos, preferem cuidar da sua área particular”, lembra Pelegrina.

O presidente do Condepac, Nilson Ghirardelo, que também é professor do departamento de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), concorda com o jornalista.

Ele salienta que o cidadão inverteu a sua ordem de valor. “Hoje, as pessoas não prestam mais atenção ao que se passa nos lugares públicos da cidade”, diz.

Ele lamenta esse descaso, lembrando que os monumentos representam idéias e conceitos de um povo, além de serem obras de arte muito bonitas. “Elas servem de atrativo para o turismo e demarcam a personalidade do município”, afirma.

Ghirardelo destaca que não é só o vandalismo que destrói os monumentos. “O poder público também não dispensa a atenção necessária a essas obras”, salienta.

Há muitas peças que já desapareceram de seus pedestais, como é o caso do busto de Luiz Zuiani, que ficava na praça de mesmo nome, no Higienópolis. Outros monumentos acabam sendo pichados e degradados pelo vandalismo. “É difícil tomar conta de tudo. Mas temos de ter a iniciativa de tombar os monumentos, na expectativa de garantir a sua conservação para o futuro”, diz Ghirardelo.

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O mestre das esculturas

José dos Santos Laranjeira se considera um privilegiado. Nascido em Bauru, ele passou a infância e o início da juventude em Montevidéu, no Uruguai, retornando para sua terra natal no começo da década de 80.

Ao chegar a Bauru, foi incumbido pelo Lions Clube de fazer uma escultura para comemorar os 25 anos da entidade. “Eu apresentei uma proposta mais abstrata, diferente, mas eles preferiram que eu fizesse um leão, que é o símbolo do clube”, conta.

Em 1988, Laranjeira foi convidado pela prefeitura para fazer um monumento que retratasse a paz. “Dessa vez, me deram toda a liberdade para criar”, destaca.

Foi aí que nasceu o “Vôo da Paz”, monumento de aço inoxidável que ornamenta a Praça da Paz, no Jardim Panorama.

Um detalhe é que a pomba tem a asa esquerda quebrada. A idéia de Laranjeira foi mostrar que, embora a paz seja um desejo universal, ela ainda não foi totalmente conquistada. “Procurei mostrar a instabilidade daquela época.”

Laranjeira fez ainda o painel que que fica em frente ao Velório Municipal, na avenida Rodrigues Alves, denominado “Vida Morte Vida”, e o busto de Rui Barbosa, exposto na praça de mesmo nome.

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Conheça alguns memoriais de Bauru

• Torre Eiffel - Localizada em frente à Instituição Toledo de Ensino (ITE), na Praça 9 de Julho, foi inaugurada em 1977, em homenagem ao jubileu de prata do estabelecimento de ensino.

• Busto de Azarias Leite - Localizado na Praça Washington Luiz, é uma homenagem a um dos pioneiros da cidade, Azarias Leite, que teria lutado pela criação do município. Data de 1958.

• Revolução de 32 - O monumento foi erguido em homenagem aos combatentes da Revolução de 1932. Inaugurado em 1936, já esteve em cinco pontos diferentes da cidade. Hoje está localizado em frente ao Cemitério da Saudade.

• Obelisco da Nações Unidas - Foi entregue à cidade em 5 de agosto de 1972, pelo prefeito Alcides Franciscato. Em 1976, foi destruído depois que a avenida Nações Unidas explodiu, sendo reerguido e entregue à população em 1977.

• Obelisco da Praça Portugal - Feito em homenagem à colônia portuguesa de Bauru, esse monumento exibe o escudo de Portugal e a Cruz de Malta, ambos talhados em pedra (granito). Possui 8 metros de altura e 1,74 metro de largura. Foi entregue à população em 1 de dezembro de 1953, pelo prefeito Nuno de Assis, em comemoração ao jubileu consular do comendador José da Silva Martha.

• Busto de Machado de Mello - Considerado o mais antigo monumento de Bauru (1917), é uma homenagem ao construtor da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, Joaquim Machado de Mello. Em 1996, após a reforma da praça ele foi colocado de costas para a estação, contrariando a posição inicial, que o deixava de frente para a linha férrea, como se estivesse admirando a sua obra.

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