Cultura

Mestre da harmonia

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos músicos mais requisitados quando se trata de trabalhar arranjos originais, o compositor mineiro Toninho Horta se apresenta hoje, a partir das 21h30, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc).

Versátil com a guitarra, ele consegue cantar e tocar violão com a mesma habilidade, segundo afirma o próprio músico, em entrevista concedida via e-mail ao Jornal da Cidade. “Passeio entre o lado instrumental e o vocal. Meu estilo é universal, com raízes mineiras e brasileiras, que vão da toada e modinha ao jazz, passando por influências da música clássica e o pop dos anos 70. Mas a Bossa Nova é minha maior base”, aponta.

Com mais de 40 anos de carreira e 20 CDs lançados - além de gravações ao lado de outros artistas consagrados -Toninho acumula uma vasta bagagem musical. Essa experiência poderá ser conferida no repertório do show de hoje, que reúne as melhores composições de sua trajetória.

Entre elas, as canções “Beijo Partido”, “Diana” e “Manoel O Audaz”, que também fazem parte do disco homônimo de 1980, “Toninho Horta”, relançado este ano. Além dos sucessos, o mineiro vai apresentar novas composições, como “Viver Por Viver” e “Ilha Terceira”.

“Entre as novidades, vou tocar ‘Lembrando Hermeto’ feita em homenagem ao multiinstrumentista Hermeto Pascoal e ‘Quadros Modernos’, composta em parceria com Murilo Antunes e Flávio Henrique”, destaca Toninho. Ele sobe ao palco acompanhado dos instrumentistas Vinícius Dorin (sax), Paulo Paulelli (baixo) e Rogério Bocato (bateria).

Toninho ficou conhecido nacionalmente pela sua estreita ligação com o Clube da Esquina, movimento que difundiu a música mineira no Brasil e marcou a história da MPB nos anos 70. Foi nessa época que ele estreou nos palcos, tocando ao lado de Milton Nascimento. Depois disso, se apresentou com Elis Regina, Gal Costa, Nana Caymmi, Joyce e Edu Lobo, só para citar alguns grandes cantores nacionais.

Mas, embora tenha feito muito sucesso com o Clube, o talento musical de Toninho despertou-se cedo, aos 10 anos de idade, por influência de seu irmão mais velho, o baixista Paulo Horta, e do avô, o maestro João Horta.

Nos anos 50 e 60, ele se dedicou ao jazz, fato que lhe rendeu o título de o quinto melhor guitarrista do mundo em 1977, segundo a revista londrina Melody Maker. Nos anos 70, Toninho se mudou para o Rio de Janeiro, onde se projetou para o mercado nacional.

Na década de 80 voltou para Minas Gerais, e lançou seu primeiro disco solo, “Terra dos Pássaros”. Nos anos 90, levou seu trabalho aos Estados Unidos. A partir daí, seguiu viajando para o Japão, Coréia e Europa.

De volta ao Brasil, organizou o “Primeiro Seminário Brasileiro de Música Instrumental” de Ouro Preto, em 1986. Entre os próximos planos de Toninho estão previstos a produção de um livro com 700 partituras de compositores brasileiros.

Além disso, ele pretende lançar ainda este ano um disco através do seu próprio selo, o Minas Record. Denominado “Toninho Horta Com o Pé no Forró”, o novo álbum terá participação especial de Dominguinhos, Elba Ramalho e Fagner.

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Principais discos

• “Quadros Modernos” (2000)

• “From Ton to Tom” (homenagem a Tom Jobim (1998)

• “Serenade” (1997)

• “Flávio Venturini e Toninho Horta no Circo Voador” (1997)

• “Sem Você” Joyce e Toninho Horta” (1995)

• “Qualquer Canção Chico Buarque” (1994)

• “Foot on The Road” (1994)

• “Once I Loved - Toninho Horta, Gary Peacock e Billy Higgins” (1992)

• “Moonstone” (1989)

• “Diamond Land” (1988)

• “Terra dos Pássaros” (1980)

• “Toninho Horta” (1980)

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