Pesca & Lazer

História de Pescador: Este rio só tem formigas


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Em uma fazenda lá pelas bandas de Boracéia existe um trecho de ribeirão que atravessa um bosque e a vegetação cobre o canal de tal maneira que não entra claridade no leito do rio.

Assim, mesmo durante o dia, quando os peixes de couro não se movimentam, era possível a obtenção de uma boa fieira de mandi e bagre. O local era muito procurado pelas famílias que desejavam passar umas horas em contato com a natureza e fortuitamente fisgar algum peixe. Dentre os comensais sempre havia um ou outro adepto dessa atividade e que levava a tralha para tentar a sorte entre um gole e outro. Nosso amigo, ourives de primeira linha, lá estava encantando os convivas com sua simpatia e verbosidade, porém, no decorrer do dia abusou um pouco da branquinha e ficou “alto”. Lá pelas tantas, lançou mão de uma vara, iscou com várias minhocas açu e avisou que iria pescar. Cambaleante, buscou a margem do ribeirão. Passado algum tempo, procupados com o amigo, algumas pessoas percorreram as margens do córrego para encontrar o pescador. Vai daqui, vai dali, até que topam com o tal estatelado dentro de um trecho raso do córrego, segurando a vara com a linha estendida no gramado e, inquirido pelo que acontecera, respondeu: “Puxa vida, este rio é uma porcaria, em vez de peixes aqui só tem formigas no meu anzol”. Parece mentira, mas é verdade. Aconteceu.

Walther Mortari

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