Bairros

Tragédia que matou 4 completa 3 anos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Amanhã, 8 de fevereiro, completa três anos da pior tragédia provocada por chuva em Bauru desde 1994: duas pessoas desapareceram na enxurrada, uma terceira morreu após ser resgatada e uma outra foi achada morta dois dias após, vários carros rodaram, 20 casas foram tomadas pelas águas da chuva e a cidade contabilizou estragos no asfalto de várias vias públicas e erosões.

Era uma quinta-feira. A chuva começou a cair por volta das 20h30. Pouco mais de 40 minutos de chuva intensa foi suficiente para alagar vários pontos da cidade e causar mortes e inúmeros estragos. Na avenida Alfredo Maia, cortada pelo córrego Água do Sobrado, duas pessoas foram tragadas pelas enxurradas.

A enfermeira Maria Anita Ribeiro Correa da Silva, 46 anos, e o motoboy Rodrigo Maciel dos Santos, 18 anos, desapareceram nas águas do córrego. O corpo do motoboy foi encontrado, mas o de Anita não foi localizado apesar dos bombeiros estenderem as buscas por vários dias após a tragédia.

Naquela mesma noite, um homem também foi arrastado pela enxurrada. Foi resgatado com vida por uma unidade do Corpo de Bombeiros na confluência da rua Inconfidência com a avenida Nuno de Assis. Sem roupa e com ataque de arritmia, ele não sobreviveu.

Na Praça Palestina, no Jardim América, carros que estavam estacionados na rua foram arrastados pela enxurrada. Na avenida Nações Unidas, um dos pontos mais críticos da cidade, a água da chuva também levou veículos.

Dois dias depois da chuva, um corpo, sem identidade, foi localizado, semi-enterrado, às margens do rio Bauru, nas proximidades do Horto Florestal. Era mais uma vítima da chuva, cujas conseqüências ainda levariam à morte outras três pessoas. Todas morreram na grande erosão aberta na avenida Waldemar Gonçalves Ferreira.

A Comissão de Direitos Humanos da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) representou a Prefeitura de Bauru ao Ministério Público (MP) do Estado por contas das mortes registradas. Sandro Fernandes, presidente da comissão, lembra que a representação foi extinta após a administração municipal ter assinado um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o MP.

No TAC, a prefeitura se responsabilizou em recuperar os pontos críticos provocados pelas chuvas e fazer obras de prevenção a novas enchentes que pudessem causar mortes. Fernandes afirma que várias obras foram executadas, mas não soube precisar se todas as listadas na época. “Mandamos ofício para as associações de moradores nos informarem se as obras foram feitas, mas não recebemos nenhuma resposta”, lamenta.

Entretanto, em 2002 e 2003 não foram registradas mortes por causa das chuvas em Bauru. Porém, segundo Fernandes uma outra representação, que acusa a administração de responsabilidade criminal pelas mortes na enchente de 2001, ainda tramita no MP.

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