Saúde

Mau hálito afeta 30% da população

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Estimativas indicam que pelo menos um terço da população sofre com a halitose - um distúrbio caracterizado pelo odor desagradável exalado pela boca ou pelo nariz. O mau hálito é citado nas mais remotas referências históricas do mundo, inclusive na Bíblia (Jó, 19.17). Ele pode ser causado por pelo menos 60 fatores diferentes, dos quais todos podem ser tratados.

De acordo com o cirurgião-dentista Jonas Cardoso, as causas mais freqüentes do mau hálito estão mesmo dentro da boca, incluindo o uso inadequado de próteses, feridas mal cicatrizadas, resíduos alimentares, alterações na produção de saliva, má higienização.

Todas essas condições favorecem o acúmulo de compostos orgânicos na boca. Esses compostos servem de alimento para bactérias. Ao metabolizar esses resíduos, os germes eliminam substâncias químicas, entre elas alguns gases de cheiro desagradável.

Mas a halitose também pode ser causada por problemas nasais e pulmonares, o que pouca gente sabe. Rinites, sinusites, desvios de septo, adenóide (carne esponjosa), bronquite, resfriados ou qualquer outra coisa que cause obstrução das vias respiratórias e produção secreções pode causar mau hálito. A secreção contém material orgânico que serve de alimento para as bactérias.

Além disso, as infecções e inflamações associadas a esses problemas costumam causar febre. Ao ter sua temperatura elevada, o organismo sofre um processo de desidratação, com conseqüente redução na produção de saliva. “A saliva é um lubrificante essencial para a saúde da boca, principalmente porque ela atua como agente de limpeza”, comenta Cardoso.

Outra causa muito freqüente de halitose é o jejum prolongado. Segundo a professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), Olinda Tárzia, quando se passa um longo período sem alimentação, o nível de açúcar do sangue cai. Para manter seu funcionamento regulado, o organismo lança mão de seus depósitos de gordura.

“A queima destes triglicerídios faz surgir os ácidos graxos, que são gases com cheiro semelhante ao da manteiga rançosa. Esse odor é exalado durante a troca gasosa que ocorre nos pulmões”, salienta Tárzia.

Por isso, pessoas que passam muitas horas seguidas sem comer, pessoas que fazem dietas radicais, que tomam remédios para emagrecer ou laxantes ou mesmo diabéticos que não controlam seus níveis glicêmicos adequadamente tendem a sofrer com a halitose.

“O hálito forte que todas as pessoas têm pela manhã é resultado da hipoglicemia, aliada á xerostomia (redução de saliva), já que o fluxo salivar praticamente cessa durante o sono (...) Como o hálito desagradável ao acordar ocorre com todas as pessoas, esta halitose é considerada fisiológica (natural)”, comenta a especialista.

Ingerir alimentos que têm, naturalmente, cheiro forte, também pode causar mal hálito. “As pessoas costumam dizer que o cheiro vem do estômago, mas não é verdade”, comenta Cardoso.

Ele explica que depois que os alimentos são digeridos, as moléculas que carregam o cheiro caem na corrente sangüínea e chegam ao pulmão, onde ocorre a troca gasosa - entra oxigênio, sai gás carbônico. O cheiro escapa junto com o gás carbônico, sendo, então, exalado pela boca e pelo nariz.

Entre os alimentos com maior tendência a causar mal hálito estão os condimentos em geral (alho, cebola, salsão, mostarda, etc.), frituras e produtos oleaginosos (azeitona, maionese, creme de leite), alimentos protéicos (carnes, leite, ovos, manteiga, queijo), bebidas alcoólicas e embutidos (salame, mortadela, presunto).

Alguns medicamentos também podem desencadear a halitose, seja por seu odor naturalmente acentuado (como os remédios hepatoprotetores), seja por facilitar sangramentos e, principalmente, por reduzir a produção de saliva - efeito colateral freqüente em drogas antiespasmódicas, antialérgicas, antiácidas, diuréticas, calmantes, hipotensoras, entre outras.

“Quanto a pessoa nos procura para tratar halitose, a primeira coisa que fazemos é passar um questionário sobre hábitos de vida do paciente - alimentação, remédios, ingestão de líquidos, vícios. Depois fazemos uma avaliação clínica e medimos a quantidade de odor exalada. Só então podemos planejar um tratamento. O tratamento é sempre individual”, destaca Cardoso.

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