O Ministério da Saúde agendou para os dias 17 a 30 de abril a 6.ª Campanha Nacional de Vacinação de Idosos contra a gripe. A vacina protege contra o vírus influenza, causador de gripes muito fortes e que predispõem o ser humano a graves complicações. A meta do governo é imunizar pelo menos 70% da população com mais de 60 anos de idade, o que equivale a aproximadamente 10 milhões de brasileiros.
De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 80% dos municípios brasileiros superaram a meta mínima de vacinação nos anos de 1999, 2001 e 2003. A ordem é intensificar as ações nas cidades onde a cobertura vacinal ficou abaixo do esperado. É o caso de Bauru, que imunizou em 2003 apenas 63,27% de sua população idosa, estimada em 34,6 mil pessoas. Ao todo, foram aplicadas 21.890 doses da vacina.
De acordo com a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru, Maria Helena de Abreu, o município já está discutindo as estratégias para aumentar a adesão à campanha este ano.
Em 2003, além das unidades básicas de saúde e do Programa Municipal de Atenção do Idoso (Promai), foram montados postos de vacinação em vários pontos considerados estratégicos, incluindo supermercados, igrejas, clubes de recreação e até no centro comercial da cidade, onde os agentes de saúde interceptavam os pedestres para receber a vacina.
“Mas, infelizmente, Bauru tem dificuldade para atingir a meta da cobertura vacinal desde o começo da campanha, em 1999. E há várias razões para isso. Muitas pessoas não vêm simplesmente porque têm medo da injeção. Mas o principal problema é o boato de que a vacina tem muitos efeitos colaterais, o que não é verdade”, salienta.
Pesquisa realizada pelo governo do Estado de São Paulo em 2001 mostrou que 34% das pessoas ouvidas declaram ter medo de alguma reação. De acordo com a coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Maria de Lourdes de Sousa Maia, os efeitos colaterais são pouco comuns e, se acontecem, manifestam-se em pequenas reações.
Ela comenta, por meio da Agência Saúde, que muita gente acredita na falsa afirmação de que se pega gripe após tomar a vacina. A especialista rebate. “Os vírus presentes na vacina estão mortos. Eles não podem se reproduzir e provocar a gripe. Mesmo assim, a presença deles estimula a produção de anticorpos e deixa a pessoa imune”, afirma.
Para a diretora do DSC de Bauru, o que acontece é que a vacina é aplicada em meses já frios, quando há um aumento natural das viroses. “Às vezes, a pessoa já está com um vírus incubado no organismo. A vacina ‘cutuca’ o sistema imunológico e ele desencadeia as reações, inclusive, contra aquele vírus incubado. A pessoa, então, acha que foi a vacina que causou a doença, mas isso não é verdade”, acrescenta.
As especialistas salientam que a vacina só protege o indivíduo contra doenças causadas por alguns subtipos do vírus influenza. Ela não protege contra doenças que apresentam sintomas semelhantes, como o resfriado, que é uma manifestação mais leve e com poucas repercussões à saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, a gripe é uma doença bastante contagiosa, caracterizada por sintomas fortes, como febre alta, dor de garganta, tosse, dores no corpo e na cabeça, fraqueza e mal-estar.
Pessoas que têm a saúde mais vulnerável podem apresentar complicações graves, como o agravamento de uma doença pré-existente, uma pneumonia ou mesmo outras infecções concomitantes.
Por isso, a Organização Mundial de Saúde recomenda a vacina antigripal principalmente para idosos, diabéticos, hipertensos, cardíacos, asmáticos, pessoas com insuficiência renal ou hepática, transplantadas ou portadoras do vírus HIV.
Segundo a Agência Saúde, as campanhas de vacinação de idosos começaram em 1999, no Ano Internacional do Idoso. “Estimativas do ministério demonstram que desde o início das campanhas, há seis anos, houve uma redução de aproximadamente 51 mil internações decorrentes das complicações da gripe”, informa.
Para o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, as campanhas preventivas são um dos maiores trunfos do Sistema Único de Saúde (SUS). “O Brasil é um dos poucos países que têm oferecido gratuitamente a vacina para maiores de 60 anos. Países no mesmo nível sócio-econômico que o nosso não conseguem implementar esse sistema”, observa.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), além do Brasil, apenas Estados Unidos, Canadá, México, Cuba, Argentina, Chile e Uruguai realizam a vacinação anual de idosos no continente americano.
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Médicos são alvo da campanha
Uma das estratégias da Comissão Nacional de Mobilização e Divulgação da Campanha de Vacinação do Idoso para este ano é mobilizar os médicos para convencer seus pacientes sobre a importância da imunização.
“A campanha vai chamar a atenção para o fato de que a vacinação reduz expressivamente a incidência de doenças pulmonares, cardiovasculares e cerebrovasculares”, informa a Agência Saúde (assessoria de imprensa do Ministério da Saúde).
Pesquisa realizada pelo governo do Estado de São Paulo em 2001 mostrou que 71,4% dos idosos entrevistados não receberam recomendação do médico para se vacinar. Mais de 22% deles admitiram que o profissional de saúde indicou a dose, porém, só 3,1% dos médicos insistiram para os pacientes tomarem a vacina, segundo os depoimentos.
A coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Maria de Lourdes de Sousa Maia defende que os médicos precisam se informar sobre os benefícios da vacina e transmitir isso aos seus pacientes.