Com a conclusão das obras do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), que devem ser finalizadas em duas semanas, a Secretaria Municipal de Saúde pretende reformar o Pronto-Socorro (PS) da Vila Ipiranga, onde o atendimento pediátrico vem sendo realizado desde agosto do ano passado. A decisão vem causando mal-estar e preocupação entre os moradores da região da Vila Ipiranga, que temem o fechamento temporário ou até definitivo da unidade.
De acordo com a confeiteira Lídia Chella, boatos sobre o fechamento do PS tem sido comentados diariamente pelos moradores. “Quando o atendimento infantil voltar para o PAI, estão dizendo que fecha o PS para reforma. Não queremos reforma, queremos o atendimento. Tem gente dizendo também que o PS vai fechar e não vai mais abrir e todo mundo fica com medo de ser verdade”, diz.
Ela se queixa que o maior problema do PS é a falta de médicos e de serviços e exames mais específicos. “A única reforma que queremos são mais médicos, mais pediatras, mais ginecologistas, serviço de ortopedia”.
Na Tribuna do Leitor da edição de ontem do JC, foi publicada uma carta de José Perea Martins, membro e ex-coordenador do Conselho Municipal de Saúde, em que ele afirma ter recebido informações extra-oficiais sobre a “desativação” do PS após a reinauguração do PAI.
Na carta, ele relembra também que, há quatro anos, alguns segmentos da sociedade propuseram a desativação dos Pronto-Socorros Ipiranga, Mary Dota e Bela Vista, “porque tais unidades estavam no limite da insustentabilidade”. Procurado pela reportagem, Martins não quis se pronunciar.
A comerciante Cristina Pereira, que é membro do Conselho Gestor do PS Ipiranga, participou de uma reunião com o secretário municipal da Saúde, Hanna Georges Saab, na semana passada, em que ele explicou que o PS seria fechado apenas para reforma. “Pelo que conversamos, não seriam realizadas grandes mudanças. Seria mais uma pintura. Mas muitas pessoas estão confusas e com medo, porque acham que o nosso PS vai ser desativado”, observa.
Saab confirma que a intenção da secretaria é apenas realizar alguns reparos no prédio. “Queremos fechar o PS por um tempo para reformar, adequá-lo para o atendimento. Temos que arrumar o chão, que está gasto, fazer uma nova sala de espera onde não chova. Queremos dar mais conforto para os usuários. Mas nenhum núcleo de saúde e nenhum PS será desativado na cidade, isto são boatos”, garante.
Segundo o secretário, a reforma da unidade não está confirmada, pois a liberação da verba ainda não foi autorizada pela Prefeitura.
A vereadora Majô Jandreice (PC do B), que é membro da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, afirma clarece que nunca houve a intenção de desativar as unidades de atendimento dos bairros. Há quatro anos, quando surgiram os boatos de fechamento dos PSs, ela teria sido uma das defensoras da mudança nas unidades.
“Tudo apontava para a reestruturação e não o fechamento. Tanto que reformaram o Pronto-Socorro Central, mas a discussão ia além, para avaliar se as unidades descentralizadas (Ipiranga, Mary Dota e Bela Vista) estariam em condições de funcionamento”, diz.