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A volta à escola


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Fim de férias. Início das aulas. Volta à escola. Aposentado, 42 anos de magistério, eu também voltei à escola, não mais para dar aulas, mas para acompanhar a neta de sete anos, a Gabriela, para o seu primeiro dia de aula, na primeira série, numa escola próxima à sua casa. Dois sentimentos, a saudade e a tristeza, bateram forte no coração cansado do velho professor, uma lágrima furtivamente rolou pela sulcada face. Senti-me envolvido por um turbilhão de imagens e emoções. Quantas reminiscências guardo no coração, impossível descrevê-las; são muitas as pessoas, professores, funcionários amigos, saudosos ex-alunos que marcaram o meu trabalho no magistério.

Aturdido, refiz-me ao ver a minha neta com as demais coleguinhas, felizes, sorridentes, serem convidadas pela simpática diretora, uma ex-aluna, para entrarem e se dirigirem para as salas de aula. Vi naquele convite que a minha missão não terminara, continuaria através daquela carinhosa diretora, ex-aluna, e da minha querida neta. Estava certo de ter confiado a educação da minha neta a uma escola com direção capaz e responsável que ensinaria a ela e às suas coleguinhas que o Brasil tem jeito sim e que elas cresceriam felizes por serem brasileiras.

Saí rapidamente dali, pois os adultos devem manter-se a distância, quando a criança se encontra mergulhada em seu universo. Saí, mas a escola da minha neta me levou a fazer algumas reflexões.

Cada um traz dentro do coração a escola que amou. Fora alguns, em decorrência dos contratempos, ela ficou apenas no sonho. Fala-se e se lembra dela com saudades. A figura do mestre, talvez ele nem se lembre, marcou afetivamente a personalidade de muitos pelas lições de amor que se tornaram vida. Vêem-se, refletidos nele, os sonhos que expressam os ideais de um dia todos serem responsáveis, amigos de Deus e dos homens, cidadãos conscientes, profissionais respeitados, pais ou mães dedicadas.

Como professor, sou ainda, constantemente, procurado pelos pais para indicar uma escola para seus filhos. Quando me perguntam qual a melhor escola da cidade, respondo-lhes com toda a sinceridade que, em princípio, todas são boas, pois não acredito que haja pais que escolheriam escolas ruins para seus filhos, nem que haja também profissionais que aceitariam dirigir ou trabalhar em escolas ruins. O que existe, na verdade, atrás de cada uma, excluindo-se aparências e “coisas” oferecidas, é um espírito diferente, uma alma diferente que leve o educando à autonomia pessoal de um eterno aprendiz. É fácil entender isso. Este é o nosso raciocínio: se o seu problema é distância, escolha a escola mais próxima; se o seu problema é financeiro, escolha a escola de custo mais acessível; se não pode ou não quer ter gastos, a melhor opção é a escola gratuita; se seu objetivo é a universidade, escolha a escola que tenha o melhor currículo e o processo mais adequado ao seu objetivo; se o objetivo é “status” (coisa lamentável!) procure a mais alta e mantenha a pose ante os custos.

Senhores pais, procurem a escola que apresente e pratique a proposta pedagógica mais coerente com as crenças e valores de seus filhos e de sua família. Pesquisem, analisem, conversem com as pessoas que ali atuam. Vejam se ela é a melhor para seus filhos, não importa se é paga ou gratuita, se perto ou longe, se bonita ou feia.

Na escolha de uma escola, pensem com muita profundidade...

Educação não é mercadoria que se pode comprar e trocar todo ano. É o que de melhor os senhores podem deixar para seus filhos... e vale o sacrifício (e às vezes, que sacrifício!) ao qual, os seus filhos serão eternamente gratos. Que Deus dê a todas as crianças uma escola que seja sempre um lugar de alegria, de encantamento!

Professor Gino Crês - RG 3.575.799

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