Polícia

Diretora da Febem quer linha dura

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A nova diretora da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), Celi Aparecida Martins Perpétuo, afirma que pretende realizar o acompanhamento e gerenciamento mais firme dos funcionários para evitar problemas semelhantes aos que marcaram a instituição até o momento, como fugas e rebelião. Depois de passar 20 dias visitando as unidades de Sorocaba e Lins, consideradas as melhores do Estado, ela assumiu o cargo anteontem à tarde e já encontra a unidade lotada com 79 internos, sete a mais do que sua capacidade.

Perpétuo é professora e diretora aposentada pela rede estadual e ex-secretária de Educação de Agudos, onde reside. Ela acredita que sua experiência como educadora deve auxiliá-la no cargo e na orientação de projetos para a ressocialização dos adolescentes internados na unidade. “Eu trago ainda uma experiência boa na área administrativa, mas não tenho receitas mágicas. Eu quero primeiramente sentir os problemas, conversar com os funcionários e ver o que pode ser acertado”, diz.

Atualmente, a unidade de Bauru conta com cerca de 90 funcionários: são 53 agentes de apoio técnico, 20 analistas técnicos - que trabalham nas oficinas e com atividades para os adolescentes, três psicólogas e três assistentes sociais, além de servidores administrativos e de outras seções.

“Temos um pessoal muito competente, mas falta um gerenciamento mais forte. Sozinha, eu não vou conseguir nada, o trabalho é em equipe. A unidade não está começando hoje, tem uma história e pessoas que construíram coisas que estão dando certo. Os problemas que encontrarmos, vamos acertando no dia-a-dia”, declara Perpétuo.

A diretora das unidades da Febem no Interior e Litoral, Francisca Silva, vem acompanhando Perpétuo desde que seu nome foi indicado para o cargo na cidade. Ela afirma que o atual quadro de funcionários da instituição mostra que a unidade de Bauru é uma das mais bem-preparadas do Estado.

“Para uma unidade de média-contenção, temos um número de agentes e funcionários mais do que suficiente aqui em Bauru, comparando com outras unidades. Mas o corpo funcional deve assumir suas atribuições adequadamente, senão pode contratar 100 ou 200 funcionários e não resolve o problema”, aponta.

Na opinião de Silva, a seqüência de tumultos e rebeliões e as conseqüentes trocas de diretores na unidade desde sua inauguração, em julho de 2002, são decorrentes de “ingerência funcional”.

“Esta unidade tem esta característica diferente: há ingerência funcional. Alguns funcionários querem o salário, mas não sua atribuição. E se os funcionários não dão conta do serviço, os meninos tomam conta. Eles são espertos e organizados. Então, é preciso que a casa esteja na mão da direção e seja conduzida pela equipe”, aconselha Silva.

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Histórico

A Febem de Bauru, nas proximidades do Núcleo Geisel, foi inaugurada em fevereiro de 2002 e começou a receber os adolescentes três meses depois. Concebida como uma unidade-modelo, os internos contariam com atividades multidisciplinares, equipe educativa e ausência de violência.

No entanto, já foram registradas diversas fugas em massa, rebeliões e tumultos. No final do ano passado, em três fugas em mesmos de dois meses, 46 menores escaparam da instituição. No final do ano passado, no último tumulto registrado, internos destruíram a enfermaria em um motim que só acabou com a intervenção da Polícia Militar.

A primeira diretora da unidade foi a professora Edinéa Sita Cucci, que foi exonerada em abril de 2003 após responder sindicância devido a denúncias de irregularidades administrativas.

Na ocasião, Maria Aparecida Cavalheiro Bien assumiu o cargo no qual ficou por sete meses. Em outubro de 2003, o psicólogo Paulo Orti assumiu a direção da unidade. Ele permaneceu menos de quatro meses no cargo, sendo exonerado no mês passado, antes da troca da presidência da Febem.

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