Pesca & Lazer

Xingu promete boas pescarias

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

O período de defeso termina no dia 29 deste mês e os pescadores fazem seus planos para a “temporada de pesca”, que vai até 31 de outubro. A região do Alto Xingu, no Mato Grosso, reserva momentos agradáveis para quem pretende pescar e aproveitar a beleza do lugar. São várias as espécies esportivas, além da possibilidade da prática de diversas modalidades de pesca.

O Xingu oferece oportunidades para todos: “linguiceiros”, “baiteiros” e “flyeiros”, mas dá preferência para aqueles que pescam esportivamente, evitando os impulsos de matar cada peixe que fisgar. Na região onde ocorre o encontro dos rios Sete de Setembro e Kuluene, onde nasce o rio Xingu, é possível pescar durante toda temporada.

De acordo com informações do Rancho Xingu, que recebe pescadores de todo o Brasil desde 1998, o pescador pode encontrar piraíbas (filhote), pirararas, jaús, cacharas, matrinxãs, corvinas, bicudas, mandubés, bico de pato (jurupensen), chupitas, cachorras, pacu da Amazônia, barbados, trairões, tucunarés e outras espécies da Bacia Amazônica. É claro que, dependendo da época do ano, algumas espécies ficam mais evidentes que outras.

O pescador que pretende buscar a piraíba, desde que comprometa-se a deixá-la viva, no rio, pode ter sucesso nos meses de março a maio, quando o rio está cheio. Já a cachara pode ser fisgada o ano todo. Já a esportiva matrinxã dá o “ar da graça” no período de junho a setembro.

A região também possui lagoas, que servem de esconderijos para os esportivos tucunarés e trairões. A grande variedade de espécies exige do pescador uma tralha diversificada, se ele não souber o que procura. Para se ter uma idéia, é possível pegar uma piraíba de 150 quilos ou um pacu prata de 600 gramas no fly. Já pensou? Por isso, é prudente o pescador ter em mente qual pescaria pretende fazer e preparar a tralha.

Tipos de pesca

Na pesca de superfície, o pescador pode optar pelas artificiais ou fly. As artificiais apresentam resultados bastante positivos espécies como cachorra, bicuda, matrinxã, tucunaré e trairão, que estão localizados em diversos pontos dos rios e lagos da região. Pescadores de fly surpreenderam-se com a esportividade das cachorras e bicudas, além do voraz tucunaré.

Já a pescaria de fundo é indicada para aqueles que buscam bagres, como piraíba, cachara, pirarara e jaú. A sugestão do site do Rancho Xingu é usar chumbadas e anzol de vários pesos e tamanhos, com iscas vivas (tuviras e outras nativas da região) e pedaços de peixes. Há quem teve sucesso na pesca do mandubé com iscas artificiais.

Algumas das espécies

Piraíba

É o maior bagre de águas interiores do Brasil. Seu peso chega a ultrapassar os 300 quilos, com até dois metros. Antes dos 60 quilos, espécie é chamada nativamente de “filhote”. Quando ultrapassa esse peso recebe o nome definitivo de piraíba. Na fase adulta, apresenta cor bronzeada com ventre um pouco mais claro.

Tucunaré

A espécie é considerada símbolo da pesca esportiva no Brasil. Peixe voraz, é capaz de atacar anzóis mesmo sem isca. Há vários tipos de tucunarés. Eles têm como características em comum a pele amarelada e um ocelo na cauda, semelhante a um olho. Os gigantes podem atingir cerca de 1,20m de comprimento e até 15 quilos, mais comuns na Amazônia. É um dos peixes que proporcionam as mais emocionantes brigas na pesca esportiva. Para pescá-lo é manter a isca artificial em movimento.

Cachorra

Peixe com escamas diminutas e prateada, sua boca oblíqua possui duas grandes presas, que chegam a assustar. Esses dentes caninos são tão grandes que a parte superior da cabeça possui dois buracos para acomodá-los quando a boca está fechada. A espécie pode alcançar mais de 50cm de comprimento. A cachorra vive à meia água, ocorrendo nos canais e praias dos rios, lagos e na mata inundada. Esportivas e saltadoras, elas atacam presas relativamente grandes, às vezes atingindo cerca de 40% a 50% do seu comprimento.

Mandubé (palmito ou fidalgo)

Peixe de couro com cabeça pequena e olhos grandes. A espécie pode ser encontrada em toda a extensão dos rios, principalmente nas praias de areia e saídas de corixos e igarapés, onde podem ser capturados durante o ano todo. Sua carne é de excelente qualidade e é bastante esportivo, podendo ser capturado com iscas artificiais.

Jaú

É um peixe de couro de grande porte, que pode até alcançar mais de 1,5m de comprimento e 100 quilos. O jaú vive no canal do rio, principalmente nos poços das corredeiras, para onde vai no período de água baixa acompanhando os cardumes de curimbatá que migram rio acima.

Matrinxã

A espécie possui uma coloração cinza-prata, uma mancha escura arredondada e nadadeiras alaranjadas, exceto a nadadeira caudal que é geralmente cinza. Os dentes são fortes e multicuspidados, com várias fileiras na maxila superior. Alimenta-se de frutos, sementes, insetos e eventualmente de pequenos peixes. Extremamente esportiva, a matrinxã seduz os pescadores, que buscam entre as iscas artificiais e naturais formas de capturá-la. Sua carne é especialmente saborosa, inclusive para sashimis.

Corvina

A família é principalmente marinha, mas possui vários representantes na água doce. Peixes de escamas com coloração prata azulada esconde um grande número de dentes recurvados e pontiagudos. A corvina é uma espécie de fundo e meia água, sedentária, que forma grandes cardumes na porção central de lagos, lagoas e reservatórios. Alimenta-se de peixes e camarões.

Pirarara

Um dos mais belos peixes de couro. Sua coloração é muito bonita, sendo o dorso castanho esverdeado, o meio do corpo amarelado e o ventre esbranquiçado, por isso o nome pirarara, peixe-arara. As nadadeiras dorsal e caudal são alaranjadas. A espécie pode chegar a mais de um metro de comprimento e mais de 50 quilos. Ela vive no canal dos rios, várzeas e igapós. Alimenta-se de peixes, frutos e caranguejos.

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