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Resultado do DNA sai em dez dias

Diego Molina, Ronaldo Schiavone e Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente do Instituto Vital Brazil, Oscar Berro, esteve ontem em Bauru para fazer a coleta de amostras de sangue e mucosa da boca de Carlos Alberto de Souza, para a realização do exame de DNA. Os testes serão conduzidos por quatro laboratórios diferentes do Rio de Janeiro e o resultado deve ser divulgado em dez dias.

“Várias amostras serão coletadas e tudo o que existe de mais sofisticado na área de teste de DNA será usado neste exame. A margem de acerto é de 99,999% e os casos em que tivemos problemas ocorrem quando a coleta é mal-feita”, diz.

O secretário da Infância e Juventude do Estado do Rio de Janeiro, Altineu Cortes, também acompanhou Carlos Alberto ontem à tarde. Ele observa que todas as evidências levantadas até o momento apontam para a solução do caso Carlinhos. “Este foi um seqüestro brutal e nós queremos chegar ao final. As evidências são muito fortes, como os sinais físicos, a história confusa do ‘Carlão’. O sentimento da equipe é que a possibilidade dele ser o Carlinhos é muito grande”, afirma.

Genética

Para o geneticista Esiquiel de Miranda, da Universidade de São Paulo (USP), o fato de Carlos Alberto de Souza apresentar características físicas diferentes do restante da família, como pele e olhos claros, não impede que ele seja filho de Maria Izabel de Souza, que é morena. “A chance é pequena, mas é possível, desde que ele tenha antepassados de pele clara na família, tanto por parte de pai como por parte de mãe”, revela.

Miranda explica que Carlos Alberto precisaria ter avôs ou bisavós de descendência européia ou latina. Segundo Maria Izabel, o pai dela e a mãe do pai de Carlos Alberto preenchem esses requisitos. “Tem que ser de ambas as partes, porque o gene é recessivo”, declara o geneticista.

Souza não precisará alterar sua documentação pessoal, caso o exame de DNA realizado ontem o confirme como Carlos Ramires da Costa. A adequação dos registros dependerá do interesse dele em entrar com uma ação de reconhecimento de paternidade, informa o advogado e professor de direito civil da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Caio Augusto da Silva Santos.

“Se ele não quiser (promover a alteração), levará uma vida normal”, diz o professor, ao explicar que por já dispor de outros documentos, a relação jurídica de Carlos Alberto de Souza já está estabelecida. Na opinião de Santos, a iniciativa seria até inadequada devido ao tempo decorrido.

Também respalda a posição do advogado a teoria da desbiologização do professor João Batista Vilela, que defende a paternidade como conceito social. A máxima desta teoria se resume naquele ditado que diz: “Quem cria é o pai”.

Porém, se o supervisor de obras for realmente Carlinhos e ele decidir alterar sua documentação, o procedimento não precisa ser seguido pela mulher e filhos.

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