Sabe-se de muitos que consideram idêntica nas suas múltiplas potencialidades a dupla heterogênea Governo e Poder. Examinam ambos e, pronto, tiram as suas conclusões, normalmente achando que os dois se equivalem terminantemente, possuindo energias e objetivos iguais e, em decorrência, igualando-se... No entanto, análises mais aprofundadas não chegam a semelhante conceito. Entendem que um e outro possuem diferenças conflitantes, este apresentando sobre aquele embalos excludentes que os tornam logicamente antagônicos, demonstrando abertamente o panorama administrativo dos países que o poder se revela sempre mais poderoso que o governo. E onde se posiciona ele dotado assim de impulsos que o seu oponente não possui? Admite-se que ele seja domiciliado e residente nos quilométricos regaços do Fundo Monetário Internacional, nos abastados cofres dos bancos em geral, nas gavetas recheadas das megaempresas e demais cooperativas da real economia das nações. De outro turno, em quais searas se acomodam as governanças sossegadamente tranquilas em todos os quadrantes? Afirmam, os analistas que elas ficam à margem do contexto, não obstante suas prerrogativas legislativas, executivas e diretivas, porque, acorrentadas em currais cercados de balaústres por todos os lados, vivem interligados a vaidades que não têm tamanho nem largura, bem diferente dos poderosos em si, que preferem manter-se escondidos, não aparecerem, contentando-se em ficar sem os aplausos do grande público e, ao mesmo tempo, auto-avaliando-se totalmente superiores ao bem e ao mal, às leis e à justiça, imposições que reinam ao seu redor mas eles não acatam nem obedecem. Mandando como manda em tudo e em todos, ditando normas e diretrizes próprias, o poder não se interessa em tornar-se governo ou coisa análoga. Daí a motivação face à qual as governanças passam, perdendo-se na largueza dos espaços, modificando-se a cada pleito que a legislação estabelece, enquanto o poder se eterniza indefinidamente, jamais perdendo as suas opulências econômico-financeiras e nunca se encolhendo diante dos gritos e lamentos das massas desprotegidas. O teatro nacional, com platéia de quase nove milhões de km², que já exibiu tantos espetáculos de gênero assim desconexo, está tendo ensejo de apresentar mais um, com a roupagem dos artistas estritamente modelada para drama. E que drama, glosando a Televisão: “Que o povo se vire nos 30... “ É também a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“O caminho da Sabedoria eu te ensinei. E nas carreiras do Direito te fiz andar! Provérbios 4.11”.