A infância de Carlos Alberto de Souza teria sido marcada por conflitos familiares. Quem afirma é Lino Medeiros Filho, apontado por Maria Izabel Souza como pai do supervisor de obras que mora em Bauru e pode ser o menino Carlinhos, seqüestrado em 1973.
De acordo com Medeiros, as informações sobre o conturbado relacionamento do filho com a mãe e os avós foram obtidas através de uma tia, que relatou superficialmente os desentendimentos.
Por essa razão, ele não soube detalhar ou exemplificar as discussões, mas ressalta que o pai de Maria Izabel, Silvio Souza, era um homem violento. “Ele era forte e chegava “às vias de fato” com a mulher por causa da Maria Izabel. Ele não aceitava nosso relacionamento, enquanto ela nos apoiava”, conta.
Segundo Medeiros, o avô de Carlos Alberto era ferroviário e trabalhava como vigia à noite. Graças ao perfil dele e das constantes ameaças, ele desistiu de lutar por Maria Izabel, mulher com quem viveu por um ano. Decepcionado, decidiu tentar a vida em São Paulo como cantor de música sertaneja, depois de ganhar um concurso de música em Bauru.
“Quando eu fui embora, ela estava bastante gorda. Acho que estava com uns seis ou sete meses (de gravidez). Fui embora em 64 para tentar esquecê-la e voltei só em 96. O pai dela não me deixou registrar o garoto”, relembra.
Quando Carlos Alberto tinha cerca de 14 anos, ele foi apresentado para o pai por Maria Izabel, que organizou o encontro em Bauru de forma sigilosa para que os pais não soubessem.
“Depois tive novo contato quando ele tinha 17 anos e, a partir de 96, quando voltei, ficamos próximos. Ele é meu amigo. Não tenho dúvidas de que ele é meu filho”, garante.
Mesmo assim, ele alega desconhecer informações relativas à infância de Carlos Alberto. Sereno, diz nunca ter sentido curiosidade em saber sobre as histórias filho enquanto ele ainda era criança.
Durante a entrevista concendida ao JC, Medeiros só mostrou-se surpreso quando soube que Maria Izabel e a irmã Cleuza moraram no Rio de Janeiro no final da década de 60, conforme a reportagem divulgou ontem.
“Sabia que a família tinha parentes em São Paulo. Cheguei até a conhecê-los lá, mas nunca recebi informações sobre qualquer relação delas com o Rio de Janeiro. Fiquei muito tempo distante”, ressalta.
Durante os mais de 20 anos em que esteve fora de Bauru, ele manteve um relacionamento duradouro com outra mulher, com quem tem uma filha. Além da caçula e de Carlos Alberto, Medeiros também tem outros dois filhos, cada um com uma mulher diferente. Atualmente, ele mora no Jardim Carolina e trabalha com manutenção elétrica e hidráulica.
Anteontem, ele recebeu o JC em casa, onde permanecia em repouso, depois de se submeter a uma cirurgia no olho direito, que foi protegido por um tampão. Medeiros tem olhos escuros, pele morena, é magro e tem estatura mediana.