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Luz verde no céu intriga moradores

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma luz verde, que brilhou no céu na noite de domingo por aproximadamente duas horas, despertou a atenção de muitos moradores de Bauru. Algumas pessoas chegaram a telefonar para o Jornal da Cidade e para o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) tentando obter mais informações sobre o fenômeno.

O perito Paulo Roberto Fernandes preferiu investigar sozinho. Munido de luneta, ele procurou um ponto da cidade com pouca iluminação para observar o fenômeno. “Era bastante intrigante, pois tinha hora que ia sumindo e depois voltava bem forte”, diz.

Segundo ele, a luz parecia não sair do lugar. “Era focada num determinado ponto do céu e permanecia lá.”

Fernandes só ficou sossegado depois que telefonou para o IPMet. Lá foi informado que a luz não era nenhum Objeto Voador Não-Identificado (Ovni), mas sim, um radar a laser usado pela equipe de cientistas que está instalada em Bauru em busca de informações sobre a atmosfera.

Everton Ferreira de Lima, que pertence ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) da Universidade de São Paulo (USP), explica que a luz faz parte de uma das etapas de coleta de dados da atmosfera, em conjunto com o lançamento de balões estratosféricos. “É uma maneira de averiguar as informações colhidas pelos balões”, diz.

Segundo ele, nesse tipo de pesquisa, não tem como se basear apenas em uma fonte de informação. Assim, os dados colhidos pelos balões são aferidos pelo radar a laser, que checa e os certifica.

O projeto, que está sendo realizado desde o final de janeiro em Bauru, reúne pesquisadores de dez países e visa fazer um mapeamento das condições atmosféricas do Planeta. Para isso, estão sendo lançados 18 balões estratosféricos, que deverão dar a volta no globo terrestre.

Lima salienta que o laser é lançado por um equipamento que está instalado no IPMet e pode alcançar uma altura de até 30 quilômetros a partir do solo. “Em São Paulo, onde existe muita poluição, ele alcança apenas nove quilômetros de altura”, salienta.

Um telescópio capta as respostas dadas pela ação do laser na atmosfera, transformando isso em dados sobre as condições do ar.

Lima explica que essas aferições são feitas, normalmente, duas vezes por dia - de manhã e à noite. É no período noturno que elas chamam a atenção, já que o laser se configura em uma luz verde refletida nas nuvens, visível a olho nu.

A vice-diretora do IPMet, Maria Andréa Lima, ressalta que, além desse fenômeno, as pessoas poderão a avistar no céu com os balões, que são lançados ao longo da semana. No entanto, ela lembra que eles desaparecem rapidamente e que, à noite, não têm luz própria, portanto, não são visíveis.

Os balões de curta distância, que possuem um tempo de vôo de cinco horas, são monitorados e resgatados por uma equipe de cientistas, que os seguem através de um equipamento de GPS, e podem aparecer em cidades da região a qualquer momento.

A assessoria de imprensa do IPMet relata que um deles pousou em uma fazenda em Marília, chamando a atenção de um agricultor, que ficou assustado com o fenômeno. No entanto, ele logo foi esclarecido pelos pesquisadores.

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