O atendimento de 55 crianças carentes assistidas pela Creche Berçário Cruzada dos Pastores de Belém, instalada na Vila Galvão, próxima à Vila Vicentina está ameaçado. Com um déficit médio de R$ 4 mil ao mês, a entidade corre o risco de fechar as portas. A crise não é uma novidade e já foi responsável pelo corte de 25 vagas há um ano.
“Embora eu seja novo na diretoria, pode-se afirmar que esta seja a pior crise da história da creche”, diz o vice-presidente da entidade, José Olyntho Cardoso de Mello Junqueira. Ele é membro da Obra Unida da Sociedade de São Vicente de Paulo, segmento da Igreja Católica que fundou a Cruzada dos Pastores de Belém em 1960.
Até hoje, os vicentinos (como são chamados os integrantes da conferência religiosa) ajudam a manter a creche, que conta com a colaboração de 153 sócios. Todos contribuem, em média, com R$ 15,00 mensais. Porém, em 30 dias, os gastos rondam a casa dos R$ 7 mil, excluindo as despesas extras com a infra-estrutura, informa a assistente social Rita de Cássia Bazalia.
“Recebemos subvenção federal de R$ 323,38 e municipal de R$ 980,96 mensais, mas trabalhamos há um ano no vermelho”, conta. Se a situação não for revertida, a projeção de contas prevê um déficit acumulado de R$ 39.349,92 até o final do ano.
No entanto, a partir do próximo mês, o problema deve ser abrandado graças à verba referente aos 2% do orçamento da Prefeitura, que as instituições assistenciais passam a ter direito a partir deste ano. O alerta é do presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, Paulo Sérgio Canalli.
“A partir de março, a subvenção municipal vai dobrar. Não resolve o problema, mas ameniza. Várias instituições estão passando pelo mesmo problema. Agora temos de cobrar os poderes estadual e federal, que não devem reajustar os recursos repassados às entidades. No município, tivemos uma conquista relevante”, enfatiza.
Contrapartida
A prefeitura municipal ainda garante à Cruzada dos Pastores de Belém a merenda (café da manhã, almoço, lanche e jantar) e dois professores. Também foram cedidos pela administração municipal dois funcionários, que trabalham junto com outros oito contratados pela entidade. Eles atendem crianças de 3 meses a 6 anos e 11 meses.
“Acho que manter uma creche sempre foi difícil e depende de uma diretoria atuante”, cobra a secretária municipal de Educação, Solange Santos Ferreira dos Reis.
Por essa razão, Junqueira quer sensibilizar a comunidade e deflagrar uma campanha junto às empresas da cidade. “Os empresários poderiam adotar a creche e servir de mantenedores colaborando com R$ 5,00, valor que não pesa no orçamento. Também vamos tentar o auxílio do Lions (clube de serviços), que pode nos ajudar desenvolvendo atividades”, explica.
As iniciativas propostas por ele são bem-vistas pela titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social, Darlene Martin Tendolo. A Sebes é responsável por nove creches municipais, outras seis são atribuição da Secretaria da Educação, além das 22 conveniadas com o município.
“O problema é que a sociedade de forma geral também passa por dificuldades e acaba contribuindo menos. Por essa razão, a demanda junto aos organismos públicos aumenta”, pondera. Mesmo assim, ela também acredita que a situação das 75 entidades filantrópicas de Bauru deva melhorar a partir do próximo mês, com a assinaturas de convênios.
Nair Fátima da Silva, mãe de duas crianças - de quatro e dois anos - que estudam na creche, se esforça para compartilhar da mesma expectativa positiva. “Se fechar (a entidade), vai atrapalhar muito a minha vida. Até me mudei para perto da creche para mantê-los aqui, porque o trabalho que eles fazem é ótimo”, conclui.
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Prazo curto
A Prefeitura de Bauru tem no máximo mais dois meses para disponibilizar mil vagas em creches e pré-escolas para as crianças que estão em lista de espera, conforme prevê uma determinação judicial. Estima-se que quase 4 mil menores com até 6 anos estejam nesta situação.
Para cumprir a determinação do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, a administração municipal iniciou reformas e ampliações em dez unidades.
Conforme o JC publicou na época da determinação judicial, o juiz ainda estabeleceu prazo até outubro para que todas as crianças restantes sejam atendidas.
A fim de diminuir a demanda, a administração municipal deve disponibilizar, a curto prazo, 725 novas vagas entre a inauguração de uma creche no Parque Santa Edwirges, a reforma de outras três creches, a inauguração de dois berçários em escolas municipais de educação infantil integrada (Emeii), além da reforma, ampliação e inauguração de salas de aula.
A previsão é da secretária municipal de Educação, Solange Santos Ferreira dos Reis. “Vai dar para atender a Justiça. Já estamos até agilizando a contratação de professores”, diz.
Concorda com ela a titular da Sebes, Darlene Martin Tendolo, para quem uma readequação das vagas vai viabilizar o atendimento de um número ainda maior de crianças.
“Estamos fazendo um estudo para avaliar a capacidade de vagas, já que sobram nas Escolas de Educação Infantil (Emei) - que funcionam meio período – e faltam nas creches. Estamos analisando a possibilidade de transformar algumas Emeis em atendimento integral. Até março teremos o levantamento”, explica, garantindo esforço para atender as determinações do juiz.
Caso a inserção dos alunos não seja viabilizada, a administração municipal arcará com multa no valor de R$ 1 mil por dia e por criança fora da creche ou pré-escola.