Cultura

Festa brasileira

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A principal manifestação popular do Brasil. Esse é o significado do Carnaval para o professor de educação física e especialista na área de lazer Edson Costa Vítor, 47 anos, conhecido como Edinho Paraguassu. Ele comandará uma aula gratuita de dança sobre os ritmos de frevo, maracatu e samba amanhã, às 16h, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc).

Apesar de não ter escolhido seguir a carreira de historiador ou sociólogo, Edinho é um grande conhecedor da festa do Momo. Sua experiência foi conquistada na prática e reúne impressões obtidas durante viagens realizadas por mais de 100 cidades do País. Entre elas, Olinda, São Luís, Natal, Fortaleza, Aracaju, Salvador, Rio de Janeiro, Manaus, Cuiabá, Campo Grande, São Paulo, Santa Catarina, entre outras.

Em cada cidade que visitou, o professor procurou estudar a cultura dos seus habitantes. “Estudei as manifestações populares de cada local, andando de ônibus e conhecendo pessoas da região, por exemplo”, conta.

Desde que viajou para Olinda pela primeira vez, em 1985, Edinho se apaixonou pelo Carnaval, sentimento que o fez morar lá durante cinco anos. Em 1990, se mudou para Porto Seguro, onde permaneceu mais cinco anos. Em seguida, voltou para São Paulo, estado onde nasceu.

Para o professor, o Carnaval brasileiro é caracterizado por uma grande diversidade de ritmos e danças. “Cada Estado tem uma marca registrada. No Rio de Janeiro é o samba, que tem uma batida diferenciada de São Paulo. No Maranhão, o destaque é o Boi Bumbá. O frevo é característica de Recife e o maracatu em Olinda”, diz.

Embora conheça os festejos carnavalescos da maioria dos Estados brasileiros, Edinho escolheu os ritmos do frevo, samba e maracatu para a aula aberta do Sesc. “A idéia é que os participantes possam aprender danças diferentes das quais eles estão habituados”, explica. Um deles é o frevo, um dos ritmos mais antigos do Brasil e que invade Pernambuco nessa época do ano.

Além de mostrar os passos de cada ritmo, o professor pretende fazer com que os foliões conheçam a cultura que existe por trás das danças e ritmos. Para isso, irá dividir os participantes em grupos, em alusão aos blocos pernambucanos.

Um deles representará o Galo da Madrugada, um dos maiores blocos carnavalescos do País, que abre tradicionalmente o Carnaval de Recife. Os outros grupos vão homenagear os blocos Elefante de Olinda, Pitombeiras e Vassourinhas, que se tornaram famosos por levar milhares de foliões às avenidas.

Tido como o principal ritmo pernambucano, o frevo será um dos destaques do evento. De acordo com Edinho, ele surgiu na metade do século 19 com as antigas bandas marciais. Durante a época da festa do Momo, o ritmo invade Olinda. “Essa cidade tem 400 mil habitantes, mas durante o Carnaval, ela pode reunir até 3 milhões de pessoas. Nesse período, a sensação é de que toda a cidade de transformou em um grande clube”, diz.

Um dos principais representantes do frevo, segundo o professor, são os caboclinhos, blocos que representam a cultura indígena, mas que trazem algumas influências européias e negras. “Nas ruas, homens e mulheres se apresentam tocando a preaca, instrumento de percussão que simboliza o arco e a flecha”, detalha.

O maracatu é outro ritmo que ganhará destaque na aula realizada no Sesc. Apesar de ser mais marcante no Nordeste, ele continua presente nos desfiles atuais, explica Edinho. “O maracatu evoca a questão dos antigos cortejos dos reis negros, que naquele momento, com toda sua indumentária, representavam reis e rainhas”, aponta. Até hoje, nenhuma escola de samba que se preze deixa faltar seu casal de rei Momo e rainha.

O terceiro ritmo carnavalesco que será apresentado na aula de Edinho será o samba, carro-chefe do desfiles do eixo Rio - São Paulo - Salvador. “A origem do Carnaval está ligada ao samba, que por sua vez, teve influências do coco, ritmo que recebe traços da cultura negra e ameríndia”, ressalta o professor.

• Serviço

Aula aberta de danças com Edinho Paraguassu amanhã, às 16h, na área de convivência do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

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