Mercado de trabalho competitivo, velocidade de informações, necessidade de aperfeiçoamento. O cenário econômico agitado e em constante mutação está exigindo um profissional mais habilitado e com conhecimentos aprofundados. Como onde há demanda a oferta logo aparece, os cursos de especialização estão se proliferando pelo País.
Não existe uma estatística mostrando quantos cursos há atualmente em Bauru. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) não tem esse controle, pois os cursos de especialização não precisam de autorização nem reconhecimento. A informação é do Núcleo de Informação do Ensino Superior (Nies), órgão ligado ao ministério.
Só para se ter uma idéia, uma única universidade particular de Bauru oferece 30 cursos latu sensu.
De acordo com a mestre em educação e doutora em teoria literária Laurita Fernandes Fassoni, a procura por esses cursos é alta, o que está motivando as instituições a abrir novas vagas. “O mercado exige conhecimento especializado e o título faz a diferença”, constata.
Além das universidades públicas e privadas de Bauru que oferecerem essa formação, há instituições vindas de outras localidades para ministrar as aulas nas mais diversas áreas.
O Instituto Brasileiro de Recursos Ambientais e Saneamento (Ibeas), por exemplo, tem sede na cidade, mas traz recursos didáticos da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. “Somos credenciados por essa instituição para trazer o curso na área de Educação Ambiental”, explica o presidente da entidade, Carlos Alberto Ferreira Rino.
São oferecidos cursos de planejamento e gestão ambiental, educação ambiental, direito ambiental, direito fiscal e tributário, direito do trabalho e processual do trabalho e gestão de seguros.
Rino explica que a demanda determina a abertura de novos cursos. “Os alunos é que acabam requisitando”, salienta.
A grade curricular é determinada pela instituição carioca. “A universidade é que define como será o curso”, diz.
A Instituição Toledo de Ensino (ITE) oferece curso de especialização desde 1978, segundo a coordenadora-geral do Centro de Pós-graduação do estabelecimento, Maria Luiza Siqueira De Pretto.
Ela conta que as áreas são determinadas através de uma análise de mercado e da demanda de alunos. “Os interessados costumam sugerir novos cursos”, explica.
De acordo com a assessoria de imprensa do MEC, o curso de especialização, também chamado de lato sensu, deve ter duração mínima de 360 horas. A Resolução CES/CNE número 1, de 3 de abril de 2001, destaca que esses cursos independem de autorização, reconhecimento e renovação do reconhecimento.
Como escolher
Ter um curso de especialização faz a diferença no currículo, mesmo depois da “popularização” desse tipo de formação. Quem atesta essa premissa é a consultora organizacional Regina Maura Pereira Torres. “É um fator muito importante numa disputa por emprego”, diz.
Segundo ela, não que seja de caráter eliminatório, mas a especialização ajuda a traçar o perfil do profissional. “Significa que a pessoa está preocupada em se atualizar, em seu aperfeiçoamento”, destaca.
No entanto, ela lembra que o grande volume de oferta de cursos de especialização não é um fator muito positivo. “Quantidade não quer dizer qualidade.”
Ela salienta que o profissional precisa ficar atento na hora de optar pelo latu sensu. “Deve-se levar em consideração a grade curricular e a instituição que está oferecendo, para ter certeza de que o curso será proveitoso”, salienta.
A opinião é partilhada pela professora Laurita Fernandes Fassoni. “A faculdade deve ser idônea, assim como o corpo docente. Também deve-se considerar a tradição do estabelecimento de ensino e as disciplinas do curso”, salienta.
Foi isso o que fez o jornalista Luís Roberto Tizoco ao optar pela sua especialização. “Eu levei em conta o fato de a universidade ter tradição e um bom conceito no mercado”, destaca.
Ele cursa “Educomunicação: leitura crítica da mídia” na Universidade do Sagrado Coração (USC) e diz estar satisfeito com o que está aprendendo. “Eu estava querendo voltar o meu trabalho para a área acadêmica e encontrei nesse curso o elo de ligação do qual precisava”, ressalta.
Mestrado
Já para o designer Luiz Nelson de Oliveira Trentini, que faz o mesmo curso que Tizoco, a especialização ajudou a entrar no mestrado. “Eu me formei em 1980 e estava sentindo necessidade de me atualizar. Ao entrar na especialização, adquiri conhecimento e currículo para passar no mestrado”, conta. Atualmente, ele faz os dois cursos.
Como não há muitas opções na sua área, a psicóloga Luciana Nóbrega escolheu um curso de aprimoramento para melhorar a sua colocação no mercado de trabalho.
Desde abril de 2003, ela cursa arteterapia no Instituto de Arte Contemporânea. “Está acrescentando muito na minha área de atuação”, ressalta.
Ela diz que a quantidade de cursos de especialização existentes no mercado causa preocupação. “Eu sou meio desconfiada dessa oferta. Quando vem instituição de fora, prefiro não arriscar”, conclui.
Muitas vezes, o aluno pode se decepcionar com a especialização. O farmacêutico Regis Lacerda Batista, por exemplo, gastou cerca de R$ 2,5 mil em um curso de engenharia de produção e desistiu dois meses antes de concluí-lo. “Percebi que ele não estava me proporcionando o conhecimento necessário para aplicar na prática”, salienta.
Ele destaca que tanto o curso, quanto a instituição e os professores eram muito bons, mas mesmo assim, não foi satisfatório. “A teoria era excelente, mas não tinha resultado imediato na prática, o que me frustrou”, destaca.
Embora formado em farmácia com habilitação em tecnologia de alimentos, ele diz que optou por engenharia de produção por trabalhar na área industrial. “Mas era muito genérico e abrangente. Agora, procuro algo mais específico segundo a minha formação”, diz.