Vivem os povos num universo de mudanças e agitações tão intensas e céleres que se deixam colocar-se alheios à história de quantos os cercam. Têm, por isso, à sua volta, uma legião de seres humanos e animais cujo nascimento e desenvolvimento são totalmente desconhecidos. No entanto, não deveria ser assim, tão extraordinária é a importância de tais acontecimentos para a evolução de tanta gente esparramada nos quadrantes da Terra. Um desses adventos circunda uma espécie que teria de ter os seus fastos visceralmente conhecidos por todos. Tem a denominação de abelha. Quem é ela assim desconhecida pela maioria das populações? Insetos himenópteros (lambetas) da família dos Apídeos, as abelhas, tão simpáticas e cordatas, constituem uma das mais complexas sociedades do mundo animal, com um sistema de vida coletiva muito bem estruturado: cada membro tem funções próprias e todos estão sujeitos a uma série de regras estritamente observadas. Vivem em grupos - colméias - onde existe uma única fêmea fértil, a rainha, com algumas centenas de machos, os zangões, e milhares de fêmeas estéreis, operárias ou obreiras. Os zangões nascem dos ovos não fecundados, têm olhos grandes, são peludos, roliços, menores que as rainhas e maiores que as obreiras. Não possuem ferrão e sua tromba é tão curta que não pode absorver o néctar das flores. Operosas, as abelhas são consideradas operárias sem domingo e feriado. Todo o trabalho de produção dos favos, recolhimento do néctar, pólen e água, manutenção do mel, é totalmente da rainha e, assim como a ventilação da colméia, tudo cabe às abnegadas trabalhadoras, para o que existem sempre em elevado número (20 a 100 mil), face ao que se dividem em muitos grupos de trabalho: as ceríferas constróem os alvéolos; as sentinelas defendem a colméias; as nutrizes alimentam as larvas e aquecem os ovos; as ventiladeiras ventilam os alvéolos, batendo as asas na entrada da colméia; as limpadoras mantêm a casa limpa; as carregadeiras colhem o néctar das flores, acumulando-o numa bolsa do aparelho digestivo, o papo, dentro do qual o néctar se mistura com a saliva e transforma-se em mel, requisitado depois para os alvéolos. Uma vez cheios, os alvéolos são fechados com uma tampa de cera. Finalmente, sim, finalmente, fecha-se com chave de ouro a bela história das senhoras abelhas e, também, naturalmente, a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). “O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Cor. 1-13.6”
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