Uma denúncia anônima levou a Polícia Militar (PM) de Bauru a apreender ontem aproximadamente duas toneladas de ferro numa casa no Jardim Chapadão. Segundo o denunciante, o material teria sido furtado do pátio de triagem da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban) por Celso Rodrigues Simão, 31 anos.
Chegando ao local indicado, os policiais encontraram grande quantidade de ferro - suficiente para encher a carroceria de uma caminhonete. Simão foi localizado nas imediações e encaminhado ao Plantão Policial.
Segundo o delegado Dinair José da Silva, o rapaz teria confirmado o furto, alegando que tinha a intenção de revender o material. Como não foi pego em flagrante, Simão foi liberado e vai responder ao inquérito em liberdade.
“Agora vamos averiguar a participação dos compradores. Se ficar provado que eles sabiam que o produto era furtado, responderão por receptação. A pena para os dois crimes - tanto furto quanto receptação - pode variar de um a quatro anos de reclusão”, informa o delegado.
Chamado ao Plantão Policial para reconhecer o material, o assistente de liquidação da Rede Ferroviária Federal S/A, Darcy Bueno, confirmou tratar-se de peças extraídas do pátio de triagem. “Tem um armário de aço, peças de motor de locomotivas e peças timoneiras. Eu calculo mais ou menos duas toneladas de ferro. Segundo apuramos, as empresas pagam R$ 0,18 por quilo de sucata, o que dá R$ 180,00 por tonelada”, salienta.
Bueno admite que furtos ao pátio ferroviário têm sido freqüentes. “Recentemente chegaram a tombar 18 locomotivas para furtar cobre. Cada motor tem 500 quilos de cobre e cada locomotiva tem quatro motores”, lembra.
Para minimizar o problema, Bueno afirma que a Rede tem leiloado locomotivas e vagões desativados. “Em 29 de dezembro passado, a Rede vendeu em leilão 113 vagões e 18 locomotivas elétricas, que estão sendo cortadas como sucata. A venda resultou em R$ 1,1 milhão para a Rede. Com isso, sobram 40 vagões e 15 locomotivas, que também devem ser leiloadas em breve”, comenta.
Bueno não soube informar a quantidade de ferro que já foi subtraída ilegalmente do pátio de triagem, mas comentou que só nos últimos meses a polícia recuperou cerca de 70 toneladas do material.
Questionado sobre a necessidade de segurança no local, Bueno comenta que as empresas que adquiriram os vagões e locomotivas no leilão colocaram seguranças no pátio. “Mas o pátio é muito grande e não dá para vigiar tudo”, admite.
O material apreendido ontem foi registrado e devolvido ao representante da Rede Ferroviária.