Botucatu – Preocupado com a qualidade de vida dos pacientes, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) quer viabilizar a implantação do programa “Bom Lanche” nas dependências da unidade.
Durante reunião realizada na semana passada com prefeitos e secretários da saúde dos municípios da Diretoria Regional de Saúde (DIR-11), o professor Eder Trezza, presidente da Comissão Permanente de Humanização do hospital, afirmou que o programa é uma solução para garantir suprimento mínimo de alimento aos doentes e acompanhantes, provenientes de outras cidades, que são atendidos no HC.
Segundo ele, em geral, essas pessoas aguardam nos ambulatórios por longos períodos e não têm condições de se alimentar.“O problema de alimentação dos pacientes que chegam ao HC para consulta ou exames e que aqui permanecem por muitas horas é, também, uma questão de saúde e, por isso, precisa ser resolvido com urgência e segurança”, diz.
Durante a reunião, foi apresentada uma proposta para que as prefeituras, ao encaminharem seus pacientes ao hospital, forneçam a eles um “vale”. Esse vale será trocado, num trailler colocado no pátio de estacionamento de ônibus e ambulâncias, por um lanche que será produzido pelo atual concessionário do serviço de alimentação do câmpus.
Segundo o presidente da comissão, o hospital recebe, por dia, quase 1.000 pessoas entre pacientes e acompanhantes procedentes de municípios longínquos.
Com poucas exceções, a maior parte dessas pessoas não traz nem água, nem qualquer tipo de alimentação. Em casos extremos, e em situações que envolvem crianças ou idosos, o Serviço Social do HC é obrigado a intervir para evitar crises e agravos provocados pela fome.
Os prefeitos e secretários da saúde presentes à reunião manifestaram disposição em colaborar na implantação do programa “Bom Lanche” e deverão, em curto prazo, encaminhar as providências administrativas para viabilizar a solução do problema.
Agenda
A diretora da faculdade, Marilza Vieira Cunha Rudge, e o supervisor do HC, Pasqual Barreti, anunciaram a criação de uma agenda de reuniões com os prefeitos e secretários da saúde para debater outras questões do atendimento no hospital e que precisam de um esforço conjunto para solução.
Uma delas é a necessidade dos municípios criarem um sistema de acompanhamento para verificar, junto aos pacientes, e em seus locais de moradia, o pleno cumprimento dos tratamentos prescritos pelos médicos do HC.
Muitas vezes, segundo foi lembrado, os pacientes retornam às suas casas e, por falta de medicamentos ou de informação, abandonam as recomendações recebidas pelos clínicos.