A ex-ajudante-geral Maria Ivone Falavinha de Moraes, 52 anos, foi condenada anteontem a 12 anos de prisão por ter matado o marido a facadas em setembro de 2002. Sidney Aparecido da Silva era casado com ela há mais de 20 anos e foi golpeado dez vezes.
O assassinato aconteceu no interior da casa deles, na quadra 6 da Alameda das Primaveras, no Parque Vista Alegre, onde moravam junto com as duas filhas, de 20 e 25 anos, que também foram agredidas pela mãe na noite do homicídio.
As duas foram feridas com uma tábua de carne por Maria Ivone, que supostamente pretendia deixá-las desacordadas para que não acompanhassem o assassinato. Anteontem, porém, a ex-ajudante geral alegou não lembrar das ofensivas contra as filhas. No entanto, as lesões corporais provocadas em ambas resultaram num acréscimo de seis meses na pena de 12 anos determinada pelo júri.
Após a agressão, as meninas fugiram para a rua. Quando voltaram, a casa estava fechada e ninguém atendia os chamados. Os policiais militares que foram solicitados para ir até o local, pediram permissão para arrombar a porta e entrar no imóvel. Eles encontraram o corpo de Sidney na sala, em meio a uma poça de sangue. Maria Ivone havia fugido.
O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas a vítima nem chegou a ser socorrida porque já estava morta. Pouco tempo depois, a mulher ligou para a Polícia Militar e se entregou.
Na época, ela contou que teria cometido o crime por causa do amante, com quem mantinha um relacionamento há seis anos. Disse que era incentivada por ele a matar Sidney da Silva, seu agressor desde os 19 anos.
No entanto, durante o processo, ela negou o envolvimento com o rapaz e retificou a informação. Por falta de provas, ele não foi envolvido no caso. A ex-ajudante-geral sempre sustentou a alegação de que apanhava do marido.
E foi justamente uma discussão que precedeu o crime. O casal brigou enquanto Maria Ivone preparava o jantar. Durante o desentendimento, ela foi ferida com gordura quente no braço direito. Por causa do confronto, ficou sem dormir à noite e aproveitou quando o marido levantou para urinar, por volta das 5h, para golpeá-lo.
Por confessar detalhes do crime, a defesa de Maria Ivone não teve como negá-lo, mas alegou que ela agiu por violenta emoção porque era agredida pelo marido. Os advogados Lino José Henrique de Mello Júnior e Eduardo Suaiden argumentaram que o motivo que a levou a cometer o assassinato não era torpe.
Porém, o júri foi unânime em considerar o contrário, informa o promotor João Henrique Ferreira. De acordo com ele, a ex-ajudante-geral foi considerada culpada por homicídio qualificado por motivo fútil.
Por ser crime hediondo, ela terá o direito de pleitear liberdade condicional após cumprir dois terços da pena. Ao final do julgamento, Maria Ivone voltou para a Cadeia Feminina de Cabrália Paulista, para onde foi transferida desde a data do crime.