Mãos ao volante, pé no acelerador, os olhos voltados para a longa estrada e a cabeça pensando na família. Esta é uma parte da rotina dos caminhoneiros que rodam milhares de quilômetros toda semana longe de casa, convivendo com a solidão da estrada. O AutoMercado & Cia foi conhecer a rotina em uma transportadora, onde os percursos e os itinerários cortam o País inteiro.
José Osmar Caçador (apelido Grilo), 41 anos, casado, uma filha (11 anos), é um desses personagens que transformou a cabine em sua casa. Transportando equipamentos para a área de panificação há oito anos para a Imeca Indústria Metalúrgica, Caçador faz rotineiramente o percurso Bauru-Nordeste, passando pelas principais Capitais do litoral brasileiro.
A presença constante na estrada exigiu que a entrevista fosse no domingo de Carnaval. Folia, que nada. Caçador descansava de um retorno de Recife (PE). “Viajo toda semana para o Nordeste, que tem sido minha rota. Costumo carregar na terça e rodo três dias até chegar ao destino”, conta.
As rotas mais comuns têm sido Recife, Natal (RN) e Feira de Santana (BA). “Durmo no caminhão, em um sofá cama”, cita. Ele trabalha com um caminhão Volkswagen modelo 12.170, ano 1999. O possante tem capacidade de carga de até 12 toneladas. “Mas o nosso tipo de carga é leve, carrega de cinco a sete toneladas”, menciona.
Rotina
A semana do motorista começa com a saída logo cedo, às 5h da manhã das terças-feiras. “Rodo cerca de mil quilômetros por dia. Paro pra almoçar e depois toco até as 22h. Janto em um posto e durmo para continuar a viagem logo cedinho”, cita.
Caçador informa que dá preferência para dormir em postos de abastecimento que tenham banheiro com chuveiro, boa iluminação e vigias. “Nessa rota já estou acostumado com alguns postos. Os mais procurados estão em Pirapora (MG) e Feira de Santana (BA)”, aponta.
O caminhoneiro explica que roda durante o dia. “Mas os verdureiros atravessam a noite sem dormir para chegar cedo nas centrais de abastecimento (Ceasa)”, explica. Para suportar a noite e o sono, muitos colegas tomam o que os caminhoneiros chamam de “arrebite”, um comprimido para não dormir. “Viajo de dia e não preciso usar essas drogas”, refuta.
Ele diz que, apesar de cansativa, a viagem proporciona conhecer amigos pelo caminho. “Durante as paradas sempre dá para bater um papo. Muita gente ainda cozinha na estrada, principalmente os gaúchos que rodam com cargas pesadas e por mais tempo que a gente”, diferencia.
O prato mais comum na cozinha improvisada dos caminhões é o arroz carreteiro. “Com carne de sol”, pontua. Os longos percursos e a permanência por períodos longos ao volante exigem cuidado com as costas. “Tem que esticar a coluna de vez em quando, senão dá um pouco de incômodo”, conta Caçador.