Estou reconhecendo firma em cartório desta carta, pois ela é de minha inteira responsabilidade. Votei no Lula. Fui um daqueles eleitores que fizeram além do voto um trabalho de convencimento aos indecisos. Tinha argumento, ou melhor, achava que tinha. Peço desculpas àqueles a que ajudei cometer o mesmo erro que eu. Que tristeza. Que engano cruel.
Esse episódio ou o desfecho desse episódio Waldomiro Diniz deu nojo. Lendo um jornal paulistano, edição da última terça-feira, em sua página A-5, deparei-me com o seguinte título: "Waldomiro fica quieto e tranqüiliza o governo", e diz abaixo que o ex-assessor tem mantido comunicação indireta com José Dirceu. E segundo a nota, ainda foi difícil calar Waldomiro, isso só acontecendo depois que integrantes do governo indicaram a Waldomiro que ele não será abandonado desde que assuma as irregularidades e se mantenha em silêncio. É escabroso. É indecoroso. Não merece nem comentários.
Mais adiante, no caderno B-3, numa coluna assinada pelo jornalista Luís Nassif, com o título "O risco do bingo no futebol", extraí e vou comentar o seguinte: depois de colocar o bingo como jogo mafioso e defender os jogos de loterias federais, o colunista cita que o ministro Aldo Rebelo mencionou o caso de uma mercearia que depois que passou a alugar uma máquina de jogo viu uma parte do alimento outrora comprado pelo cliente migrado para a máquina de jogos: cita ainda que nas loterias e no jogo de bicho o apostador faz sua aposta e vai embora para casa sem ficar horas em frente uma máquina ou em casa de bingo. E que já existe no país grupos de ajuda a esses compulsivos. Parece piada.
Quem garante que o jogo do bicho (que já foi intocável em honestidade e hoje não é mais) e as loterias têm o resultado imparcial. As grandes loterias, principalmente as de grande acúmulo, só saem em pequenos locais e geralmente os prêmios são atribuídos a caminhoneiros passantes, ou desculpas esfarrapadas diversas. Esse comentário é geral, a Caixa Federal vive conclamando a população através de folhetos, sua lisura e honestidade. Por quê? Quem é verdadeiramente honesto não precisa de promoção. Outra coisa, mesmo que os resultados das loterias sejam corretos e os acertadores existam de verdade (embora falte a transparência que seria necessária), o rateio destinado aos apostadores é uma merreca. É uma sangria sem dó.
Quanto à compulsão em que as pessoas (os compulsivos, é claro) transformam suas vidas, há de se ressaltar o seguinte: temos urgentemente então que parar de vender bebidas alcoólicas. Temos muitas pessoas, milhares, que destruíram sua família por causa da bebida. Temos que parar de vender cigarros pelo mesmo motivo. Temos que urgente solicitar ao sr. presidente a expedição de uma MP fechando as portas de determinadas igrejas, pois existem meia dúzia de espertalhões charlatães se locupletando de milhões de miseráveis incautos que estão comprando com o suor do rosto uma falsa paz na vida e um possível conforto no céu.
O nosso presidente perdeu a grande oportunidade da vida na última sexta-feira. A MP que deveria ser assinada seria a liberação total. Imediatamente cessaria a corrupção. Aí sim ele daria 120 dias para o Congresso ditar as normas e daria tempo aos empresários, os verdadeiros, a se adequarem. Não precisaria, apenas para abafar uma séria crise de um partido virgem a prejudicar cerca de 600.000 brasileiros; porque estão contando os bingos mas desprezam nos números às milhares de pessoas que alimentam seus filhos com as migalhas recebidas pelos caça-níqueis.
Aliás, é bom que se frise; que caça-níqueis existem no mundo inteiro em bares, restaurantes e lanchonetes. A maioria dos países em que essa atividade é lícita os impostos são cobrados por estimativa, nada mais justo e fácil. Voltando ao PT, é bom que o partido se acostume. Os escândalos no mundo inteiro surgem nas hostes de quem é governo. Se a cada fogueira existirem as famosas MPs moralizadoras destituindo de seus empregos 200 ou 300.000 brasileiros iremos onde? Esse governo está lembrando demais o governo Collor. Mas daquele particularmente eu não tive dor de consciência nenhuma. Não votei em Collor. Mas nesse eu votei. (Vítor Rodrigues Ruiz - RG 11.225.892)