Bairros

Barragens são utilizadas para avenidas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Duas das principais avenidas propostas para o novo Plano Diretor de Bauru aproveitariam barragens para interligar bairros. Trata-se dos sistemas viários da Água Comprida e da Água do Sobrado.

A avenida Água Comprida seria implantada na região Leste da cidade, ligando o Jardim Colonial, nas proximidades do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), à avenida Rodrigues Alves, perto do Horto Florestal e da ponte de acesso ao Núcleo Mary Dota.

Entre outros bairros, beneficiaria o Parque das Camélias, o Núcleo Geisel, o Jardim Cruzeiro do Sul, o Jardim Carolina, Jardim Redentor e Distrito Industrial.

A avenida aproveitaria a área existente entre o Parque Flamboyants e o Sambódromo, onde hoje existe um vale com terrenos vazios. O local seria aproveitado para a construção de uma barragem e para a criação de um parque.

A região tem vias de acesso ao Centro, mas é carente de ligações entre os próprios bairros.

Parte da área que seria utilizada para a obra a prefeitura recebeu em doação. Outra parte é particular e terá de ser negociada através de instrumentos do Estatuto da Cidade.

Já o sistema viário Água do Sobrado aliviaria o trânsito nas avenidas Castelo Branco - que dá acesso a Piratininga - e Bernardino de Campos. Elas já são consideradas estreitas para a demanda de veículos.

A alternativa seria a construção da avenida Água do Sobrado, que correria paralela ao córrego que leva o mesmo nome. Ele não seria canalizado e, portanto, separaria as duas pistas, respeitando a área de preservação ambiental.

Um trecho do córrego também será aproveitado para a construção de uma barragem de contenção de águas pluviais e criação de um parque.

“A gente dá um acesso bom para toda essa região que é complicada hoje: Vila Ipiranga, Jardim Jussara, Terra Branca, Sabiás, Andorinhas, Vila Independência, Vila Souto, Vila Paraíso. Todas elas dependem, basicamente, da Castelo Branco ou da Bernardino”, expõe Maria Helena.

Uma das conseqüências da criação da nova avenida seria a sobrecarga na rotatória Chugiro Otake, que dá acesso às avenidas Duque de Caxias e Alfredo Maia.

Hoje, ela já é pequena dada a grande quantidade de veículos. Por esse motivo, o diâmetro dela teria de ser aumentado.

“Como são várias vias chegando, não dá nem para colocar semáforo. Quando a rotatória é muito pequena, você resolve com semáforo”, explica Maria Helena.

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Segurança

Na opinião do capitão Wellington Venezian Dorian, comandante do Tático da Polícia Militar (PM), as avenidas que interligam bairros são essenciais para o bom desempenho do trabalho da polícia, garantindo tranqüilidade à comunidade.

“A criação de artérias que façam conexão entre bairros é muito favorável à polícia. Está relacionada à segurança”, afirma.

O comandante explica que é importante chegar rapidamente aos locais solicitados. “É fundamental para o policiamento. Se você consegue chegar com maior velocidade e for mais rápido no atendimento, obviamente você presta um serviço de maior qualidade. Ou você inibe a ação de um infrator da lei, ou você pode prendê-lo quando ele está na prática delituosa”, diz.

Para Dorian, a cidade precisa de mais vias de trânsito rápido. Ele cita o projeto da avenida Nações Unidas Norte, o qual julga positivo. “Além de agilizar conexões entre bairros, aliviaria o trânsito mais pesado da área central de Bauru. Quem vai para os bairros não precisaria nem passar pelo Centro”, expõe.

O capitão Nelson Garcia Filho, comandante do pelotão do trânsito de Bauru, sugere uma avenida que funcionasse como um anel, contornando a cidade.

“Dá para aproveitar até as rodovias existentes por que, no futuro, seria mais fácil fazer um contorno da cidade do que cruzar pelos bairros. Como é um plano diretor para o futuro, você tem que pensar em ligar as avenidas com as rodovias para de alguma forma dar mais velocidade ao trânsito”, reforça.

Ele cita pontos da cidade que já não suportam a demanda de veículos, principalmente na região central da cidade. Um deles é a avenida Rodrigues Alves, que em determinados horários apresenta congestionamento.

O capitão cita também a avenida Duque de Caxias e a rotatória Chugiro Otake, que dá acesso às regiões da Vila Falcão e da Vila Independência.

Para Garcia, outro aspecto importante do projeto apresentado é a duplicação da avenida José Vicente Aiello, que aliviaria o trânsito de caminhões na cidade.

Ele sugere, ainda, que o famoso viaduto inacabado seja concluído. “Ele iria desafogar bastante o trânsito da Pedro de Toledo e da rotatória Chugiro Otake”, argumenta.

“A dificuldade que eu vejo hoje é ter de cruzar o Centro da cidade para acessar um bairro. O ideal é procurar alternativas mais rápidas”, acrescenta.

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