Uma garota de programa conhecida por “Lêâ€, com idade aproximada de 25 anos, é a décima vítima de assassinato neste ano em Bauru, dos quais oito praticados no decorrer deste mês. Ela foi encontrada morta na noite de anteontem ao lado da linha férrea, nas proximidades do viaduto Juscelino Kubitschek. Seu corpo apresentava sinais de espancamento.
O plantão da Polícia Civil foi comunicado da ocorrência por volta das 22h do sábado. Uma equipe de investigadores compareceu até o local e localizou o cadáver da moça já em estado de rigidez e apresentando hemorragias na boca e nariz.
Com vários ferimentos esparramados pelo corpo, supõe-se que o assassino tenha se utilizado de instrumento contundente para matar a moça. Ela foi encontrada semi-despida, sem o vestuário da parte de cima. Sua bermuda e calcinha estavam na altura do tornozelo.
Uma busca preliminar da equipe de investigação feita na região conseguiu localizar uma bolsa feminina, em cujo interior estavam acomodados um frasco de loção hidratante e três batons. De pele branca, cabelos louros compridos, “Lê†era conhecida por prostitutas que fazem ponto na área. A moça também era garota de programa.
Segundo uma testemunha que viu “Lê†pela última vez na noite de sábado, cujo nome está mantido em sigilo pela polícia, o assassinato ocorreu por dívidas de drogas, mais especificamente crack.
Ela relatou à polícia que um indivíduo - cujo nome também está mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações - procurou “Lê†no sábado à noite para cobrar uma dívida de R$ 50,00, provavelmente por fornecimento de crack.
O moço, armado de um revólver, chegou ao local acompanhado de uma outra pessoa. A testemunha contou que a garota foi agarrada pelos cabelos e arrastada até a linha férrea, onde foi agredida a socos e pontapés. Ela ouviu o rapaz gritar que não iria esperar mais o pagamento da dívida.
Essa versão - considerada verídica - só foi relatada após a equipe de investigadores não aceitar uma outra que a testemunha tentou sustentar para evitar o seu envolvimento no caso.
Inicialmente, a testemunha tentou levar os policiais a acreditarem que “Lê†havia sido vítima de quatro homens que estavam num Monza cinza. Eles teriam combinado o programa com a moça por R$ 30,00, valor também oferecido a ela, que negou por ter ficado com medo. O veículo teria retornado ao local após algumas horas apenas com o condutor.
A versão, com muitas contradições, não foi aceita pela polícia. Pressionada, a testemunha decidiu contar a verdade. Relatou, inclusive, que o acusado de assassinato a ameaçou de morte caso revelasse os acontecimentos à polícia. Uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) já está trabalhando na apuração do assassinato.
Mês atípico
Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), JJ Cardia, a lista de dez assassinatos nos primeiros dois meses do ano não pode ser encarada como um dado que aponte para o aumento da violência e da criminalidade em Bauru.
Segundo ele, fevereiro foi um mês atípico. Foram registrados oito assassinatos. No último dia 15, a polícia registrou um tríplice assassinato no Parque Viaduto. Janaína Carlos dos Santos e o casal Rosa Maria de Almeida e Carlos Roberto de Souza foram mortos a tiros.
No dia 21, os irmãos Nilson e Wilson Salles também foram assassinados. No dia seguinte, 22, o soldador Claudinei Theodoro também foi morto. E na madrugada e noite de anteontem mais dois crimes: Josias Fernandes dos Reis e a garota de programa conhecida por “Lêâ€.
Cardia lembra que há um determinado período no decorrer do ano que o número de assassinatos ultrapassa a média, que em Bauru varia de três a cinco por mês. “Tivemos o tríplice homicídio e mais o duplo. Isso alterou a média do mêsâ€, explica.