O verão - a estação mais badalada do ano - está com seus dias contados a partir de hoje, 1 de março. Na madrugada do próximo dia 20, às 3h49, começa o outono, a estação de transição entre o verão e o inverno. Já no final deste mês, as chuvas - ou as ‘águas de março’ imortalizadas na voz de Tom Jobim e Elis Regina - vão escassear e a umidade relativa do ar e a temperatura vão começar a cair gradativamente. Surgem as primeiras massas de ar frio. É o aviso da natureza para a mudança de cenário.
Segundo a meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Zildene Pedrosa, a partir de abril a média de temperatura já dá sinais de queda. Em 1999, por exemplo, a mínima registrada no mês foi de 5,6ºC.
O clima mais frio, o ar menos úmido e chuvas esparsas esboçam um cenário de seca. De acordo com Zildene, a média histórica de chuvas no período compreendido entre 1998 a 2003, de março a junho, mostra a regularidade da natureza. Em março, apurou-se uma média de 131 milímetros (mm) de chuvas; abril, 74 mm; maio, 59 mm; e junho 53 mm.
O registro do termômetro também mostra a variação das temperaturas. A média diária histórica do outono na região de Bauru é de 23ºC. A temperatura mínima oscila de 11ºC a 13ºC. A umidade do ar cai de 75% para 65%. Os nevoeiros surgem como novos componentes das auroras outonais. A estação obriga a mudança de hábitos e comportamentos.
Fim da piscina
Os últimos dias de verão ainda estão sendo aproveitados quase que por inteiros pelos associados dos clubes de Bauru. Ontem, o dia amanheceu ensolarado. O sol forte convidou os fãs de piscinas para um banho. Para quem gosta do cenário, foi um dia e tanto. Nem mesmo as pancadas de chuvas passageiras, típicas da época, tiraram o ânimo dos freqüentadores de clubes.
A promotora de vendas Gil Alves de Lima não perdeu tempo ao acordar na manhã de ontem e imaginar que as três grandes piscinas do Serviço Social do Comércio (Sesc) estavam à sua espera.
Tratou de arrumar a sacola com os apetrechos necessários, o biquíni última moda e partiu ansiosa para o clube imaginando os mergulhos para se resfrescar. “O verão é a melhor estação do ano. Pena que vai acabar. E com ele, a oportunidade de pegar um bronzeadoâ€, queixa-se.
Veterana dos ladrilhos azuis, ela conta que, embora o outono esteja agendado para começar no próximo dia 20, ainda será possível se deliciar com muito sol e água fresca até meados de abril. A partir daí, o vento mais frio já começa a arrepiar a pele, se tornando um incômodo.
Sua colega de toalha estendida ao chão, a auxiliar de laboratório Priscila de Assis, também é fã do verão e dos biquínis última moda, um convite ao desfile pelas bordas das piscinas do Sesc.
“O verão é uma estação cheia de vida. O outono e o inverno deixam as pessoas mais chiques. Mas é um período em que, por exemplo, perco cor e começo a desbotarâ€, reclama.
Priscila, que também é assídua freqüentadora do clube, antecipa a retirada da temporada para este mês. “No final de março já começa a ventar frio, embora ainda tenha sol forte. O máximo que dá é pegar um bronzeado, mas sem piscinaâ€, conta.
Na mesma onda de avaliação segue a estilista Valéria Zimmermann. “Cheguei às 10hâ€, relata, debaixo de um sol já a pico de meio-dia, cujo termômetro riscava a faixa dos 30ºC. “Vou embora por volta das 4 da tardeâ€, diz, olhando para o relógio, calculando o tempo que ainda lhe restava.
Se o verão é sinal de descontração para uns, para outros é motivo de preocupação. O salva-vidas Rui Everaldo da Silva conta os dias para chegar o outono, estação em que o fluxo de associados às piscinas do Sesc diminui consideravelmente.
“Já chegamos a ter no parque das piscinas cerca de 2 mil pessoas. Não é fácil ficar de olho em toda essa genteâ€, comenta. A partir do outono, a freqüência dos associados cai vertiginosamente, para alívio do salva-vidas.
Para quem prefere dar um mergulho uma vez ou outra, o clube é uma atração durante o ano inteiro. Sem se incomodar por estar perdendo o sol e a água fresca das piscinas do Bauru Tênis Clube (BTC) de campo, a estudante Dandara Ly Amaral Crivellaro aproveitou o dia para curtir a vegetação de cerrado que ainda sobrevive aos arredores do local.
“Para mim, tanto faz ser verão ou outono porque freqüento sempre o clubeâ€, diz, versão confirmada pela mãe, a assistente social Vanessa Ly Amaral Crivellaro. “Freqüentamos o BTC de campo praticamente todos os dias porque malhamos na academiaâ€, relata Vanessa. Com sol de verão ou de outono, o BTC de campo já é considerado a segunda casa de mãe e filha.