O vereador Edmundo Albuquerque anunciou ontem seu rompimento com a administração do prefeito Nilson Costa (PTB). O parlamentar completou a notícia ao informar também sua desfiliação do PPS. Ele justificou o rompimento argumentando que discorda do projeto político-partidário do PPS para as eleições municipais, que continuará vinculado ao grupo nilsista. Albuquerque defendia que a legenda tivesse candidatura própria.
O prefeito Nilson Costa é o mais prejudicado politicamente com a decisão do vereador. Em um mês, ele perdeu dois aliados na Câmara. O primeiro foi Osvaldo Paquito (PPS), que cedeu lugar a Catarina Carvalho (PFL) em cumprimento à decisão judicial. E por último Albuquerque. Nilson começou o ano com dez vereadores na base aliada. Agora só pode contar com oito.
Antes de usar a tribuna livre do Legislativo na tarde de ontem para tornar público o assunto, o parlamentar procurou o presidente do PPS, Rubens de Souza, para comunicar sua decisão, também levada ao conhecimento de Nilson.
No seu discurso, Albuquerque historiou o comportamento da administração municipal para justificar seu desligamento do grupo político nilsista. “Eu avaliei a opinião da população (que reelegeu Nilson) e vi que poderia estar colaborando com a cidade se pudesse contribuir para a administração”, conta.
Logo depois do início do segundo mandato nilsista, Albuquerque se desfilou do PSDB e migrou para o PPS. “O PPS teve a responsabilidade pela eleição do prefeito Nilson Costa. E foi dessa forma minha atuação política”, relata, completando que enfrentou dificuldades no convívio com a administração.
O parlamentar buscou na troca de partido pelo prefeito - que migrou do PPS para o PTB - a chance que seu partido teve para romper com a administração.
“Entendo que neste momento começamos a viver uma nova fase política na cidade, na qual se começa a discutir o futuro de Bauru e para onde deveremos caminhar. Na minha avaliação pessoal e da população acredito que, em função de tudo que ocorreu nos últimos anos, Bauru precisa de uma mudança de seus destinos. Essa mudança implica em eleger um prefeito que não esteja compromissado com a continuidade da atual administração”, setencia.
Com a desfiliação do PPS, o parlamentar risca de vez a chance de participar das eleições municipais de outubro. A legislação eleitoral exige que os interessados em disputar a eleição se filiem ou troquem de partidos um ano antes do pleito. “Não serei mais candidato, mas quero ficar à vontade para apoiar uma candidatura que não seja a continuação da atual administração”, esclarece.
O anúncio de Albuquerque surpreendeu seu colegas de partido, os vereadores Paulo Agustinho e Zito Garcia. “É uma grande perda para o PPS. Mas ele democraticamente tem o direito de trilhar o caminho que melhor lhe convier”, opina Agustinho. Zito diz que agora o partido vai se reunir para indicar o novo líder na Câmara, função que era exercida por Albuquerque.
Avaliação fria
O perfil calculista e frio impregnado no comportamento do prefeito Nilson Costa resumiu sua avaliação sobre o rompimento anunciado por Edmundo Albuquerque com sua administração.
“Todos os integrantes da Câmara Municipal têm liberdade para seguir seus destinos. Nunca me insurgi contra qualquer comportamento ou posicionamento de vereadores”, comenta friamente, sem demonstrar preocupação com a perda de mais um aliado no Poder Legislativo.
Ao ser questionado sobre a fragilidade da bancada parlamentar que dá sustentação a seu governo na Câmara, Nilson insistiu no discurso frio e calculista. “Ao longo desses cinco anos sempre enfrentei dificuldades na Câmara. Eu só espero que os projetos de interesse da comunidade sejam aprovados pelos vereadores. De resto, eu, pessoalmente, não preciso de nada”, afirma, dando um tom de fim de governo.
"Porta aberta"
O presidente da executiva municipal do PPS, Rubens de Souza, lamentou a desfiliação de Edmundo Albuquerque. “Ele representava o pensamento plural e progressista, além de uma vida pública inatacável e sem manchas. A porta do PPS está e estará sempre aberta ao Edmundo. Ele é uma pessoa decente e preferiu a porta da frente para sair da nossa agremiação. Não fez como certos políticos carreiristas e oportunistas, que trocam de partidos como se trocassem de camisas.”