Botucatu - Previsto para ser inaugurado em quatro meses, o Hospital-Dia de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) será uma referência regional no atendimento a pacientes com aids.
A unidade será a terceira do Estado e terá capacidade para atender as 69 cidades que pertencem às diretorias regionais de Saúde de Botucatu e Bauru, cuja população estimada é de 1,5 milhão de habitantes.
O local funcionará durante o dia, de segunda a sexta-feira, e servirá como uma clínica para atendimento a portadores do vírus HIV de ambos os sexos e de qualquer idade, independente do estágio da moléstia.
Os pacientes poderão ser consultados, fazer exames, receber medicamentos e permanecer em repouso ou observação por algumas horas, antes de voltar para casa. As internações, quando necessárias, serão encaminhadas ao HC da Unesp.
Além das salas para consulta e coleta de sangue, o Hospital-Dia terá ainda consultório para gestantes, sala para biópsia, para terapia de grupo e ocupacional e um anfiteatro, onde serão feitas atividades recreativas para as crianças.
Haverá também uma sala privativa para a coleta de sangue de pessoas que não querem se expor publicamente. A coleta será feita com hora marcada e o acesso à sala será reservado.
Doações
A obra está na fase final e foi orçada em R$ 568 mil, segundo informou o médico infectologista Domingos Alves Meira, idealizador da unidade de Botucatu.
Segundo ele, o custo foi bastante reduzido por causa das doações que o hospital recebeu e por se tratar de um local onde não será necessário o uso de aparelhos sofisticados.
Entre os itens doados estão os móveis, pisos, sanitários e outras peças para banheiro, entre outros.
A construção foi viabilizada graças a uma parceria entre a Faculdade de Medicina da Unesp, governos federal, estadual e municipal e a Fundação Bons Ares, formada por profissionais liberais e empresários de Botucatu.
Assim que entrar em funcionamento, o hospital praticamente decretará o fim da fila de espera para uma consulta. Atualmente, para conseguir ser atendido, quando o caso não é de urgência, o paciente tem de esperar cerca de quatro meses.
Em Botucatu, o atendimento gratuito é feito pelo Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde a capacidade atual é de 300 pacientes por dia. A estimativa é de que o atendimento seja multiplicado por 30, após a inauguração do Hospital-Dia.
Funcionamento
O horário de funcionamento ainda não foi definido, mas segundo adiantou Meira, deverá ser das 7h às 20h.
Com isso, segundo ele, reduz-se a menos da metade o custo com a manutenção do hospital. Um dos principais motivos para a economia é a dispensa da contratação de médicos plantonistas. Como não há atendimento à noite, não há a necessidade de contratá-los.
Segundo Meira, serão contratados 15 funcionários para trabalhar no hospital. Serão dois médicos, duas enfermeiras, quatro auxiliares de enfermagem, duas secretárias, dois motoristas e um psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente social. Existem planos para a contratação de dentista, mas ainda não há nada definido quanto a isso.
Os funcionários contratados serão pagos pela Secretaria de Estado da Saúde. Além deles, o hospital contará ainda com a participação de professores e alunos da faculdade.
Com a construção do Hospital-Dia em Botucatu, o Estado de São Paulo passará a contar com a terceira unidade do gênero. As outras duas estão em Ribeirão Preto e na Capital.
Além de servir de apoio aos portadores do vírus HIV, o hospital realizará ainda campanhas para a inclusão dos doentes na sociedade e no mercado de trabalho.
A idéia é mostrar que, apesar da contaminação, é possível levar uma vida normal, seja no campo pessoal ou no profissional.
____________________
Auxílio ao portador de câncer
O Hospital-Dia de Botucatu terá 1.100 metros quadrados de área coberta e fica ao lado da Faculdade de Medicina da Unesp, no distrito de Rubião Júnior. O terreno foi doado pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar - órgão vinculado à faculdade.
Ao lado do hospital, no mesmo terreno, a Fundação Bons Ares, tem planos de construir um albergue, que está sendo chamado de casa de apoio, para abrigar pacientes de câncer que procuram o Hospital das Clínicas (HC) para atendimento.
O anúncio foi feito na segunda-feira passada pelo presidente da Fundação, o advogado Sérgio Aun, durante a visita do reitor da Unesp, José Carlos Souza Trindade, às obras do Hospital-Dia.
Esses pacientes, segundo informou a assessoria de imprensa da faculdade, geralmente vêm de cidades muito distantes de Botucatu e não têm um local apropriado para permanecer por períodos curtos após as sessões de tratamento, como a quimioterapia.
Segundo levantamento feito pela faculdade, só no ano passado, o HC realizou 500 mil consultas. Ou seja, cerca de cinco vezes a população de Botucatu.
Nesse total, estão incluídos atendimentos a pacientes que vieram inclusive de outros Estados. De acordo com o levantamento, pelo menos 60 municípios fora do Estado de São Paulo encaminharam pacientes para o HC em 2003.
Para tentar minimizar ainda mais o sofrimento dessas pessoas, o hospital tenta viabilizar junto aos prefeitos das cidades mais distantes a implantação do programa “Bom Lanche”.
A idéia é oferecer aos pacientes e seus acompanhantes pelo menos o mínimo necessário para alimentá-los. Pelo acordo, as prefeituras forneceriam “vales” aos pacientes que seriam trocados por lanches em Botucatu.
O programa ainda não tem previsão de lançamento.