Polícia

Comerciante é condenado a 12 anos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O comerciante Jeter Freitas, 27 anos, foi condenado ontem à noite a 12 anos de prisão pela morte da ex-namorada Ludmila Ferreira da Silva. Ele matou a estudante de 17 anos a tiros numa estrada vicinal que liga a cidade de Piratininga a Marília, em maio de 2000.

Uma semana após o crime, Freitas se entregou para a polícia e confessou ser o autor dos disparos que mataram a adolescente. Na época, ele alegou que estava sendo traído e que a intenção era matar Ludmila e, em seguida se suicidar, mas faltou-lhe coragem.

Ele teria descoberto a traição a partir de escutas telefônicas na casa da vítima. As fitas foram gravadas depois que ele percebeu uma mudança no comportamento da namorada, com quem manteve um relacionamento por mais de dois anos.

Enfurecido com a situação, o comerciante procurou a estudante na loja onde a moça trabalhava, na Vila Nova Esperança, mas ela já havia saído e embarcado num circular.

Ao desembarcar do ônibus, Ludmila entrou no carro de Freitas e os dois começaram a discutir. Como os conflitos estavam acirrados, ele teria procurado um local mais calmo, na vicinal Piratininga/Marília. No local, onde ocorreu o crime, ambos teriam saído do veículo e, durante a briga, ele atirou na estudante.

A situação levou o advogado de defesa de Freitas, Luiz Celso de Barros, a defender a tese de violenta emoção. “Ele fazia tudo por ela. A intenção dele era se matar na frente dela para que ela levasse o gesto dele para a vida toda. Ele se exasperou”, diz. Porém, o júri não acatou a alegação.

No entanto, o conselho responsável pela sentença reconheceu duas qualificadoras para o crime. Uma delas é o fato do homicídio ter sido provocado por motivo torpe. A surpresa da vítima com a reação de Freitas, o que dificultou a defesa dela, é a segunda qualificadora. Ambas poderiam aumentar a pena do réu.

Porém, a condenação não foi majorada porque o júri também levou em consideração o fato do comerciante ter confessado o crime, o que serviu de atenuante. Freitas vai cumprir os 12 anos de condenação em regime fechado na Penitenciária de Avaré, onde já permanece preso há quatro anos. O promotor de Justiça Djalma Marinho Cunha Filho, responsável pelo processo, foi procurado pelo JC, mas preferiu não se manifestar.

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Revolta

O empresário Élio Henrique da Silva, pai da estudante Ludmila Ferreira da Silva, está revoltado com o resultado do julgamento de ontem. Para ele, Jeter Freitas não poderia ter sido condenado a pena mínima de 12 anos para o crime de homicídio qualificado (a máxima é de 30 anos).

“Daqui a quatro anos, ele estará livre novamente, porque já está preso há quatro (anos) e pode ter livramento condicional com dois terços da pena, se tiver bom comportamento. Enquanto isso, minha filha não existe mais. É uma vergonha. Eu quero saber se eles (júri) dariam uma sentença assim no julgamento do filho deles”, desabafa.

Na opinião de Silva, o resultado do jugalmento reflete uma impunidade que estimula outros crimes da mesma natureza. “A lei incentiva a matar. Vai morrer mais gente. Cometeram uma injustiça. Você não vai mais me ver lutando por nada”, diz.

Silva levou ao Congresso Nacional mais de 100 mil assinaturas favoráveis à prisão perpétua. Ele desencadeou a campanha com a morte da filha. “O crime interessa a muita gente. Desonraram minha filha. Ele (Freitas) riu na minha cara. Foi um absurdo o crime demorar tanto tempo para ser julgado”, finaliza, chorando.

O julgamento foi adiado por três vezes. Na última vez, em junho do ano passado, aconteceu em decorrência do pedido do advogado do réu, Luiz Celso de Barros, para juntar mais documentos ao processo. No entanto, a principal razão pela demora foi a transferência do julgamento para a comarca de Bauru.

Como o crime foi registrado em Piratininga, ele deveria ser julgado lá. Mas em função da campanha desencadeada por Silva (favorável à prisão perpétua), o juiz de Piratininga transferiu o julgamento para Bauru. O objetivo foi evitar que o posicionamento do pai interferisse na opinião dos jurados.

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