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Sair da letargia


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É preciso insistir que o desenvolvimento quem faz é o setor privado e que não depende só dele mas que os governos façam a sua parte. A primeira coisa que um governo tem que fazer é mostrar aos empresários que não tem medo do crescimento e que está disposto a compartilhar os riscos que o setor privado terá que assumir em suas decisões de investir para ampliar a produção e criar empregos. Se o governo sinaliza uma atitude extremamente cautelosa em sua política monetária porque seu Banco Central acredita (apesar das evidências em contrário) que existe uma “probabilidade concreta” (sic) que a inflação volte a se desviar da trajetória da meta de 5,5% para este ano, na verdade ele está dizendo aos empresários que ainda não é o momento de investir. O comentário que ouvi do dirigente de um importante grupo industrial esta semana mostra claramente o entendimento daquela mensagem: “Se o governo não está disposto a arriscar um dinheiro que não é seu, porque eu deveria arriscar o meu?”

É preciso questionar os “princípios” que “modernizaram” nossa economia nos últimos anos, na verdade uma cópia do modelo imposto pelos países que dominam as instituições multilaterais. Ignora-se a História e se esquece que a “ciência econômica” que nos venderam não tem nada a ver com a política econômica com a qual países como os Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra e outros se desenvolveram. Normas do famoso “Consenso de Washington”, por exemplo, jamais seriam aplicadas por eles quando estavam crescendo no século 20.

Durante o seu desenvolvimento, esses países tiveram legislação prudencial bancária tão dura como a que se impõe hoje? Ou abriram mão da proteção tarifária sem negociar contrapartidas? Japão, Alemanha e Itália deixariam de desvalorizar suas moedas para reconstruir suas economias após a Segunda Guerra? Teriam esses mesmos países protegido - há cinqüenta anos - os direitos de propriedade intelectual como agora exigem - ou fizeram exatamente como a China está fazendo? Todas as respostas são negativas.

A China entendeu bem isso: em 1984 exportava menos do que o Brasil; nos últimos 15 anos negociou a sua entrada na OMC, violando todos os acordos que restringiam a ação dos países membros. Hoje, sua exportação é sete vezes maior que a nossa e o PIB continua crescendo vigorosamente a 8% e 9% ao ano. Mantendo, ainda, o câmbio desvalorizado e subsídios creditícios inacreditáveis, vai saindo, mansamente, dessa posição, com 5% de participação no comércio mundial.

Na contramão do desenvolvimento desde o início da década dos anos 90, quando começamos a misturar ideologia com teoria econômica, hoje o Brasil é o grande exemplo do gigante submisso.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP, professor emérito da USP.

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