De acordo com a fisioterapeuta Laura Caramaschi, a alternativa encontrada para promover educação postural de crianças sem que as aulas parecessem um tratamento, foi reunir exercícios baseados em diversas técnicas fisioterápicas. O uso pranchas, discos, bolas, molas, elásticos e colchonetes e a idéia de aplicar as aulas a pequenos grupos de mesma faixa etária transformou o aprendizado num curso divertido.
“Elas fazem apenas uma aula por semana, com uma hora de duração. A troca de exercícios e aparelhos dá dinamismo ao programa e o trabalho em grupo favorece a desinibição. Então, de maneira muito lúdica, a gente consegue trabalhar vários aspectos e a criança vem com prazer, ela sente saudade da aula”, reforça.
A educadora física Mirella Arenas Bobra acrescenta que outro cuidado é usar uma linguagem semelhante à dos alunos e comparar os movimentos com situações do dia-a-dia que permitam a visualização do movimento.
“Então, nós sugerimos que elas imaginem um fio preso ao peito e ao teto quando o exercício de solo requer que elas elevem o tronco (sentando) e dizemos para manter ‘cabeça de tartaruga’ quando queremos que elas mantenham o pescoço esticado e elevado”, exemplifica.
A farmacêutica Tânia Maria Alves Negrão Santos conta que a filha Samara, 7 anos, conseguiu vencer um trauma durante o curso. Segundo ela, a menina fraturou o braço aos 3 anos e, desde então, ela demonstrava receio de qualquer coisa que pudesse fazê-la cair. O déficit de equilíbrio foi vencido em quatro meses de curso, aliado às aulas de ginástica olímpica.
“Tem uma escada em casa, sem corrimão, que dá para um cômodo (tipo de sótão) onde guardo brinquedos. Ficamos espantados quando a vimos subir lá pela primeira vez. Até então, ela não tinha segurança nenhuma e precisava estar sempre bem plantadinha no chão. Agora, ela brinca bem mais, já começou a se soltar, teve uma melhora enorme”, comemora a mãe.
Já a vendedora Cláudia Fernandes Camponez de Almeida informa que matriculou a filha, Lívia, 12 anos, para corrigir vícios de postura. “Minha filha também estava gordinha e tinha uma barriga incômoda. Em três meses de curso, ela perdeu cinco centímetros de barriga e ficou muito feliz com a mudança do corpo”, comenta.
Segundo a fisioterapeuta, a redução da barriga deve-se, principalmente à recolocação da coluna no eixo correto e ao fortalecimento da musculatura abdominal.
“Eu sou meio tortinha, mas na minha época de criança não havia cursos assim. Quando percebi que ela ficaria igual a mim, procurei ajuda. Ela tem muito mais firmeza (postural) hoje. Eu estou adorando o resultado e recomendo”, acrescenta Cláudia Almeida.
Segundo Caramaschi, a educação postural desenvolve coordenação de braços e pernas, equilíbrio, flexibilidade, melhora articulações, fortalecimento muscular, consciência e domínio sobre o próprio corpo. “Nossa proposta é acudir quem tem muitos anos de desenvolvimento físico ainda pela frente e atuar prevenindo para não ter que tratar desvios e dores mais tarde”, reforça.
Para o médico ortopedista Leonardo Barbi, a educação postural na infância é um método muito eficaz para se interceptar alterações precocemente e prevenir o desenvolvimento ou agravamento de desvios.
“Desde que se faça com a orientação profissional correta e pelo tempo apropriado. Há várias técnicas fisioterápicas que, comprovadamente, oferecem bons resultados”, afirma.
Ele reforça que cabe aos pais observar o desenvolvimento dos filhos com muita atenção durante toda a fase de crescimento, que vai até o final da adolescência. “Se a criança apresenta alguma alteração de postura ou de alinhamento, é necessário procurar o ortopedista o mais precocemente possível. Vamos radiografar a coluna, verificar se há problemas anatômicos e indicar o melhor tratamento”, completa.
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Avalie seu filho
O ortopedista Leonardo Barbi e a fisioterapeuta Laura Caramaschi ressaltam que os desvios de coluna precisam ser monitorados durante toda a fase de crescimento ósseo, que vai até o final da adolescência.
“A orientação é importante durante todo o crescimento, mas é obrigatória nos períodos de estirão - duas fases em que há um crescimento mais acelerado da coluna. É nessas fases que a correção é alcançada, seja por hábito ou por alteração óssea”, destaca Barbi.
Para acompanhar o crescimento, Caramaschi sugere que a família tenha sempre uma fita métrica presa atrás de uma porta para medir a altura da criança mensalmente, de preferência no mesmo dia do mês. Assim, ficará fácil perceber o início do estirão, quando o desenvolvimento mensal aumenta. “Aí, seria interessante levar a criança ao ortopedista para avaliar se tudo vai bem”, aconselha.
A melhor maneira de identificar se há desvios de coluna, segundo os especialistas, é deixar a criança despida ou semidespida e observá-la, olhando pela frente, de perfil e pelas costas - de pé, sentada e deitada.
“Deve-se verificar se os ombros estão alinhados, se estão retos ou arqueados, se há algum desnível. Depois, colocando a criança deitada, checar se há alteração no comprimento das pernas. São dados indiretos de que algo não vai bem”, explica o médico.
Segundo Caramaschi, outra opção é colocar a criança de pé, com os pés juntos e olhando para a frente, e traçar uma linha imaginária sobre o corpo dela.
“Imaginando uma reta, com a criança de prefil, essa linha deve passar pelo centro da orelha, centro do ombro, do quadril, lateral do joelho e terminar no osso do tornozelo. Olhando pela frente e pelas costas, ela deve passar bem no meio do corpo. Se a reta não passa por todos esses pontos, é porque há um desvio”, ensina.
Outra dica é colocar a criança de pé e verificar se os ombros e os dois lados da cintura estão na mesma altura. Pode-se usar uma mesa, estante, janela ou rejunte de azulejos como referência.
“Por fim, coloque a criança em pé, com pés paralelos e pernas estendidas (sem dobrar os joelhos), peça para ela curvar a coluna para a frente até colocar as mãos no chão (ou quase). “Observe pelas costas se os dois lados do corpo têm a mesma inclinação. Se um lado estiver mais curvado que o outro, se um ombro estiver mais baixo, é porque há um desalinhamento”, descreve a fisioterapeuta.
Segundo os especialistas, qualquer desvio identificado deve ser avaliado por um ortopedista. “O profissional vai identificar a causa e tratar, às vezes com órteses, coletes ortopédicos, sempre conciliando com alguma atividade física específica. Geralmente, eu oriento a natação. Só ela para menores de 15 anos e junto com o fortalecimento muscular em academia a partir desta idade”, encerra o médico.
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Para experimentar em casa
A fisioterapeuta Laura Caramaschi e a educadora física Mirella Bobra ensinam duas seqüências de exercícios que trabalham fortalecimento da coluna e equilíbrio. As atividades podem ser feitas em casa, desde que sejam seguidas algumas recomendações.
O primeiro passo é providenciar um colchonete, que pode ser substituído por um cobertor macio dobrado em quatro partes. “Tem que ser algo macio, mas não pode ser tão mole como um colchão, nem tão duro como um tapete. Os dois extremos podem machucar a coluna”, observa Caramaschi.
A segunda recomendação é observar atentamente a posição de mãos, pés, joelhos, pescoço descritas durante o exercício, pois um movimento diferente poderia causar entorses ou outras lesões. Se a criança sentir dor, deve-se suspender os exercícios imediatamente.
• Exercício 1
1. Sente-se com os joelhos dobrados e os pés totalmente apoiados no chão. Abrace os joelhos, mantendo a coluna em forma de “C” e o queixo próximo do espaço entre os joelhos.
2. Role para trás suavemente, como se as costas fossem os pés de uma cadeira de balanço. É importante manter a coluna curvada e não deixá-la bater no chão, pois isso poderia machucar.
3. Continue o rolamento até tirar quase toda a coluna do chão, mas com cuidado para não forçar demais o pescoço. Volte à posição inicial e repita algumas vezes até o movimento ficar fácil e gostoso.
4. Desafio: quando estiver voltando à posição inicial, tente não colocar os pés no chão e equilibrar o peso sobre o bumbum, mantendo a coluna bem reta. Fique assim por 5 a 10 segundos e repita a seqüência do rolamento.
• Exercício 2
1. Fique nesta posição, apoiando joelhos, ponta dos pés e mãos no chão. As mãos devem estar alinhadas com os ombros, a coluna deve estar reta e o pescoço alinhado, olhando-se para o chão.
2. Curve a coluna para cima, murchando a barriga como se quisesse grudar o umbigo no teto. Fique assim por alguns segundos e volte à posição inicial, sem deixar a coluna curvar para baixo.
3. Mantendo a coluna firme, tente tirar um braço do chão, com a palma das mãos virada para o lado do rosto. Mantenha o equilíbrio e a coluna reta. Troque de braço, depois tire uma perna de cada vez, estendendo-as.
4. Desafio: quando conseguir equilibrar-se, tente tirar o braço direito e a perna esquerda do chão ao mesmo tempo, mantendo o equilíbrio, a coluna reta e olhando para o chão. Faça do outro lado e volte à posição inicial.