O principal critério de avaliação da cidade para muitos moradores de Bauru provenientes de outros Estados do País é a oferta de emprego. Alguns vêm em busca de trabalho e ficam satisfeitos com o que encontram. Outros permanecem desempregados e se decepcionam.
Maria Izabel Gonzaga, 38 anos, moradora do Parque Jaraguá, veio de Alagoas para buscar tratamento médico para o filho, que tem paralisia cerebral. Ela mora em Bauru há um ano e sete meses. Está contente com a saúde do garoto, mas insatisfeita porque o marido ainda não conseguiu emprego.
“Esse lugar é maravilhoso porque me aliviou do sofrimento em que eu estava. Meu filho chorava muito e aqui, graças a Deus, eu pude ficar melhor”, afirma.
O irmão dela, que mora há 20 anos em Bauru, foi quem incentivou a mudança. “Aqui só não é bom para trabalho. Meu marido está desempregado. Ele sai todos os dias e não encontra nada. Como a gente vai sobreviver sem trabalho? A gente sobrevive porque as pessoas ajudam”, conta.
Maria Izabel afirma que um aspecto positivo em Bauru é a grande quantidade de pessoas solidárias e voluntárias. “Tem muita gente boa aqui e que tem bom coração. Eles vêem a situação da gente e ajudam”, diz. “Eu adorei esse lugar. Não vou esquecer nunca”, acrescenta.
Ainda assim, ela afirma que, se o filho melhorasse, voltaria a morar em Alagoas. Explica que acha Bauru muito violenta. “Lá, a gente tem casa, tem trabalho. Aqui, é muita violência. A gente tem medo”, enfatiza.
Quitéria da Silva Santos, 37 anos, é outra moradora do Parque Jaraguá. Há quatro anos ela veio de Maceió, em Alagoas, à procura de emprego. Quem incentivou foi a irmã, que se aventurou alguns anos antes.
Quitéria ainda está desempregada. Apesar disso, diz que gosta de morar em Bauru porque participa de cursos gratuitos de geração de renda em entidades assistenciais.
Seu pai, o alagoano e aposentado Laurindo Pedro dos Santos, 68 anos, está morando na cidade há apenas quatro meses e diz que gosta do lugar devido às temperaturas mais amenas. “O fracasso que tem em Bauru tem em todas as partes, que é desemprego. Eu gosto do frio. Em Alagoas, não existe esse negócio de frio”, argumenta.
Entretanto, ele destaca que o custo de vida é reduzido em Alagoas. “Muito mais barato. Mas eu gosto do lugar também. Bastante”, revela.
Francisca Maria da Silva, 21 anos, saiu de Serra Talhada, em Pernambuco, há 14 anos. Ela gosta de morar em Bauru e diz que só voltaria à sua terra natal se fosse a passeio.
“Lá, é muito quente e lá é muito difícil de encontrar emprego. Minha mãe não quer mais ir para lá. Ela já se acostumou aqui. Aqui, a gente arruma serviço mais fácil”, expõe.
O pedreiro alagoano Leobino Barbosa, 61 anos, concorda com Francisca. Embora trabalhe com bicos conta que, em Bauru, as ofertas de emprego são maiores que em Penedo, sua cidade de origem.
Ele mudou-se há 35 anos para a região Sudeste do País. “Lá, estão todos morrendo de fome. Não tem jeito de consertar não. Tem pouco serviço. Para mim, Bauru é melhor. É uma cidade boa. Eu já ganhei muito dinheiro trabalhando como pedreiro em Bauru”, justifica.
“Eu não vou embora de Bauru. Vou morrer aqui. Para mim, tudo em Bauru é bom. O pessoal fala mal, mas em todo lugar tem problemas. Para mim, está ótimo. Só está faltando mesmo arrumar um emprego (fixo)”, acrescenta.
Leobino mora no Parque Jaraguá mas já passou pelos bairros Jardim Petrópolis e José Regino, entre outros. Ele reforça que só sairia da cidade se tivesse, em outro lugar, uma proposta de trabalho melhor.