Bairros

Para ex-moradores, lugar deixa saudade

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar dos probleminhas detectados por cada um dos visitantes ou moradores que passam por Bauru, em grande parte dos casos, a cidade deixa saudade.

É o caso de Aline Baracat, que morou em Bauru durante os quatro anos em que cursou radialismo na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que agora mora novamente em São José dos Campos, sua cidade natal.

Ela diz que a primeira impressão foi assustadora. Depois, foi se acostumando à realidade. “Você começa a ter um carisma pela cidade. Mesmo com os problemas que ela tem, você passa a gostar da cidade. Eu gostava muito de Bauru, mesmo tendo uma ligação muito forte com São José dos Campos”, revela.

Aline avalia que Bauru é dinâmica e tem opções de lazer durante toda a semana. “É uma cidade que tem uma vida cultural bem ativa. Não sei se é por causa das faculdades ou por ser mesmo uma cidade de passagem. Eu sinto muita falta disso em São José”, afirma.

Quanto aos aspectos negativos, Aline cita problemas de infra-estrutura, como condições precárias do asfalto e de transporte público. Ainda assim, diz que o saldo é positivo. “Com certeza”, reforça.

O músico Ricardo Longhi Ribeiro, 26 anos, já morou em Bauru, mas atualmente vive em Ibitinga. As lembranças são boas. Tanto é que ele afirma que voltaria a morar na cidade. “Se precisar, eu vou voltar a morar aqui com certeza”, reforça.

O ex-morador, que tem uma banda de rock, diz que Bauru não oferece muitos locais apropriados para tocar. Mas reúne as qualidades necessárias para ser escolhida como sede do grupo, devido à posição geográfica estratégica.

“É uma boa cidade, tanto é que nós resolvemos colocar a sede da banda aqui em Bauru. Aqui é mais fácil de reunir todos os integrantes”, explica.

Para o designer Eduardo Pizza, que se formou em Bauru e agora vive em Avaré, o município reúne muitas qualidades, mas não oferece perspectivas profissionais.

“A cidade é boa para curtir, mas aqui não tem campo para mim. Não tem grandes oportunidades. Boa é a troca cultural com os próprios universitários. Ruim é a falta de estágio e de emprego”, argumenta.

Eduardo não pretende ficar nem em Bauru nem em Avaré. Ele está fazendo planos para mudar-se para São Paulo, onde quer tentar um emprego.

Para toda regra há exceções. O estudante Iasser de Almeida Elid, 22 anos, por exemplo, não saiu de Bauru com boas impressões. Natural de Campo Grande (MS), ele morou na cidade durante seis anos e agora vive em Agudos.

Na opinião dele, faltam atrativos em Bauru, bares e pontos de encontro para jovens. “Os lugares bonitos de Bauru, como o Vitória Régia, são lugares abandonados. O comércio é muito fraco. É uma cidade com bastante oportunidades, mas sem saber aproveitar nada”, diz.

Ele não cita pontos positivos e diz que não gostou da experiência com bauruenses. “É um povo fechado, que se sente cidade grande, orgulhoso. E não é assim. São Paulo não é tão assim. É diferente o acolhimento”, argumenta.

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