A diarista Maria José dos Santos, 46 anos, passou a vida toda freqüentando as atividades da Igreja Católica. Aprendeu com a mãe a ter devoção a Deus e já percorreu muitos quilômetros nas procissões religiosas. Na última sexta-feira, ela e a filha participaram da Via Sacra em Reginópolis (70 quilômetros ao Norte de Bauru), às 5h, mantendo uma tradição de família.
Maria José diz que tem muita fé e que na Quaresma não deixa de orar. “É uma tradição freqüentar a Via Sacra na quaresma. Minha mãe aprendeu com minha avó e eu estou ensinando minha filha, Fernanda Sofia Silva Santos.”
A menina, que tem 9 anos, acordou cedo e, junto com a mãe, rezou nas 15 estações, que representam o sofrimento de Jesus. Não se intimidou com o “friozinho” e com o vento da madrugada. “Eu gostei”, confessou.
O costume familiar de freqüentar todas as atividades da Igreja na Quaresma já está na terceira geração da família de Rene Miguel Raduan. “Eu e minha mulher, Vanda, aprendemos com nossos pais a respeitar a Quaresma e participar de todas as cerimônias da Igreja nesse período.”
O casal acredita que fazendo isso está cumprindo um ritual favorável para a família. “Por isso, orientamos nossos filhos a fazer o mesmo. A nossa filha Lilian acompanha o costumes familiares”.
Quando criança, a dona de casa Maria Aparecida Tibério, 70 anos, foi levada pelos pais para as atividades religiosas. “Aprendi com os meus pais que me educaram na Igreja Católica. Fui filha de Maria e aprendi que a Quaresma é tempo de orações, por isso, faço a novena, assisto às missas e venho à Via Sacra.”
Família de Italianos
Italina Biazoto Stocco tem 89 anos e uma disposição de jovem. Na última sexta-feira, acordou muito cedo e foi na Via Sacra. Enfrentou o vento e o frio da madrugada e rezou em todas as estações. “Sou descendente de italianos e minha família é muito religiosa. Para nós, a Quaresma é um tempo de muita oração.” Ela garante que neste período assiste missa diariamente. “Quando não tem na igreja, assisto pela televisão.”
Vicentina da Silva Domingos tem 77 anos e a vida toda, pelas mãos da família, foi levada para as atividades católicas durante os 40 dias após o Carnaval. Acostumada com a rotina da Quaresma, ela não perde uma Via Sacra. “Eu venho para agradecer as graças que conquisto durante todo o ano. Tenho muita fé.”
De braços dados com a mãe, Iara Martins Trize percorreu as 15 estações da Via Sacra. Ambas mantinham a mesma intenção, restabelecer a saúde da filha de Iara. “Eu sempre fui católica, mas não praticante. Há quatro anos, Deus me chamou para as atividades religiosas, uma preparação para enfrentar a doença de minha filha.”
Para o padre Joaquim Lima Brito, da matriz de Reginópolis, a Quaresma é um tempo de aproximação com Deus. “A Quaresma é um tempo favorável à oração, jejum e caridade. Tempo de nos aproximarmos mais de Deus.”
Segundo ele, é nesse período que a paixão, morte e, sobretudo, a ressurreição do Senhor, servem de reflexão. O padre conta que procura, através da liturgia, intensificar as orações e as caminhadas penitenciais.
Ele admite que as procissões só são possíveis nas pequenas comunidades. “Nos grandes centros, há insegurança e trânsito. É um resgate. Difere das procissões do passado porque associa a morte e ressurreição de Cristo aos dias de hoje. Procuramos mostrar aos fiéis que o padecimento, o sofrimento de Jesus, pode ser visto na figura daquele que está ao nosso lado.”