A jornalista Roberta Mathias é a primeira mulher brasileira a fazer parte do World Record Game Fishes - o livro dos recordes (Guiness Book) do mundo da pescaria.
No ano passado, ela fisgou um jurupensen de um quilo e meio no rio Xingu, no norte do Estado do Mato Grosso. Um feito inédito em todo o mundo.
Antes dela, o maior peixe dessa espécie havia sido fisgado por outro brasileiro, o capitão de pesca da International Game Fish Association (IGFA), Carlos Eduardo Coelho Magalhães, o Kdu (pronuncia-se Kadu). O peixe dele pesava 300 gramas menos do que aquele que foi pego por Roberta.
Publicado pela IGFA, cuja sede fica na Flórida (EUA), o livro dos recordes é atualizado anualmente. Apaixonada pela pesca, Roberta alcançou a marca durante uma viagem até o Alto Xingu com a finalidade de fazer uma matéria sobre a pesca esportiva dentro da mais importante reserva indígena do País.
Roberta Mathias é redatora da seção Pesca, publicada todas as quintas-feiras no Jornal da Cidade, junto com o caderno de Turismo. Foram 40 horas de viagem de Bauru até a reserva. Apesar do cansaço, a aventura valeu tanto a pena que Roberta já pensa no retorno, agendado para o próximo mês de agosto.
Segundo ela, a ida para o Xingu foi um marco em sua vida de pescadora amadora. “Antes eu pescava lambari e não sabia o que era pegar um peixe atrás do outro”, comparou ela, ressaltando a diferença entre pescar nos rios da região e no imponente Xingu.
Roberta conta ainda que a marca histórica foi, na verdade, registrada por acaso. Segundo ela, a intenção era fisgar um outro peixe, conhecido como cachara.
Para isso, ela estava usando como isca um outro peixe, a tuvira. Coincidentemente, a isca é boa também para atrair o jurupensen. E foi o que aconteceu. Mas não foi um jurupensen qualquer. Foi o maior pescado até agora, devidamente registrado.
“Eu fiquei muito nervosa. Minhas pernas amoleceram. Eu achava que não iria conseguir e que a linha iria arrebentar”, relembra Roberta.
Segundo ela, a batalha com o peixe demorou cerca de cinco minutos, mas pela tensão criada pareceu ter levado quase meia hora.
Jurupensens maiores que esse podem até ter sido pescados. No entanto, não existem registros oficiais de tal proeza.
Na avaliação da primeira mulher brasileira a integrar o livro dos recordes da pescaria mundial, os pescadores brasileiros não se preocupam com as marcas históricas. Segundo ela, para o brasileiro pescar é um momento de lazer, no qual ele não está preocupado em bater recorde.
Além do mais, registrar uma marca no livro dá trabalho. Entre outras exigências, o peixe tem de ser pesado em uma balança aferida pela IGFA. O pescador precisa enviar para os EUA um pedaço da linha que foi utilizada na pesca, preencher um formulário, tirar foto do peixe ao lado de uma trena para comprovar o tamanho e ainda conseguir assinatura de testemunhas de seu feito.
“Não faz parte da cultura do pescador brasileiro se preocupar com tudo isso. Mas eu acho que é importante para o País, pois é um espaço que a gente precisa conquistar”, ressaltou Roberta.
Da relação dos recordistas que constam do livro da IGFA, a maior parte é de pescadores americanos. E muitos dos grandes peixes fisgados por eles e que os levaram ao recorde foram pescados em rios brasileiros. Além do Xingu, outro rio bastante procurado pelos turistas pescadores é o rio Amazonas, famoso pela sua extensão, uma das maiores do mundo.