Política

Prefeito tem fé; Dudu monta equipe

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

“O futuro a Deus pertence”, profetiza o prefeito Nilson Costa (PTB). “Já estou montando a minha equipe”, avisa o vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL), esbanjando confiança. Em situações opostas, prefeito e vice fazem leituras diferentes da decisão parcial do Tribunal de Justiça (TJ), que ontem iniciou o julgamento da liminar que reconduziu Nilson ao Palácio das Cerejeiras.

Com o jogo no intervalo, o placar está favorável a Dudu: 2x0. Dos três desembargadores que formam a 9ª Câmara de Direito Público do TJ, dois votaram pela cassação da liminar que mantém Nilson na função de prefeito. O terceiro pediu vista ao processo. Na próxima quarta-feira, o segundo tempo do jogo decidirá quem vai governar Bauru: Nilson Costa ou Dudu Ranieri.

Na condição de espectadores, prefeito e vice arriscam comentários que avaliam o placar parcial. Cada um, lógico, arrematando o discurso a seu favor. “Entendo que, por enquanto, é uma decisão parcial (do Tribunal de Justiça). Há um desembargador que levantou dúvidas sobre a questão, vai examinar e dar o seu voto”, alerta Nilson.

Diante da desvantagem, o prefeito agora volta suas atenções para o Fórum de Bauru, mais especificamente para a 5ª Vara Cível, na qual foi protocolado o processo inicial que resultou na recondução de Nilson à função de prefeito em outubro do ano passado.

“Nós temos a concessão de uma liminar no âmbito local. Ao que se sabe, a qualquer momento o juiz (Horácio Furquim Guanaes) poderá concluir o exame da peça e dar a setença no mérito. Não há uma data prevista para isso. Caberá a ele tomar a decisão”, diz.

O prefeito avalia que a decisão parcial - e, até o momento, desvantajosa para ele - foi um balde de água fria neste seu último ano frente à gestão municipal.

“Nós já estávamos firmando pé nesse restante de administração. Há muitos problemas pendentes, a maioria no âmbito jurídico. Temos reajuste de salários (dos servidores), a questão da federalização da dívida, o restante a pagar da Funprev, o tratamento de esgoto. Enfim, problema é o que não falta à prefeitura.”

Nilson explica que foi surpreendido pela notícia de que dois desembargadores votaram contra sua manutenção na prefeitura. “Os nossos advogados tinham uma confiança absoluta numa decisão favorável”, diz.

No início da tarde de ontem, o prefeito reuniu o primeiro escalão para avaliar a situação política. Segundo ele, a reunião foi marcada antecipadamente para a discutir a decisão do TJ independente do resultado. “Fizemos um apelo para a unidade de comando. Pedimos para que todos continuem se dedicando ao trabalho.”

Lista pronta

O vice-prefeito Dudu Ranieri garante que está pronto para assumir a administração municipal caso a decisão final do TJ seja pelo afastamento de Nilson Costa.

“Tenho, sim, uma seleção de nomes, mas por uma questão de ética não oficializei os convites porque o momento ainda não é oportuno. Temos uma semana pela frente. Nesse período, vamos montar um secretariado efetivo e que possa nos auxiliar na administração da cidade”, explica.

Nos 23 dias que governou Bauru, no ano passado, o vice-prefeito teve dificuldades para montar a equipe de secretários. As principais secretarias foram comandadas por servidores de carreira.

Para Dudu, é imprevisível estimar como está a situação financeira do município. Ele acredita ser falsa a estimativa de que os cofres da prefeitura estão cheios porque o período é de forte arrecadação de impostos - principalmente o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Se for confirmado pelo TJ no cargo, o vice-prefeito pretende apontar a sua administração para a periferia da cidade. “Os bairros mais afastados do Centro precisam de uma atenção especial porque são carentes de todo tipo de infra-estrutura”, justifica.

Recentemente, Dudu havia adiantado que só disputaria eleição à prefeitura se fosse reconduzido ao cargo de prefeito. Ele confirmou o seu projeto político. Se não assumir a administração, seu partido, o PFL, deve fazer aliança para apoiar outro candidato.

Sem previsão

O juiz titular da 5ª Vara Cível de Bauru, Horácio Furquim Guanaes, disse ontem que não há previsão para a sentença de mérito do processo que culminou com a liminar que reconduziu Nilson Costa à prefeitura. Ele ainda avalia a necessidade da produção de novas provas para serem juntadas às já existentes.

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