Os exames de DNA que descartaram a possibilidade de Carlos Alberto de Souza ser Carlinhos foram feitos pelos laboratórios da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela empresa privada Genealógica Diagnósticos Moleculares. Eles foram sorteados entre outros dois laboratórios para realizar o teste. A margem de acerto é de 99,999%.
A incompatibilidade genética entre o supervisor de obras e Maria da Conceição foi anunciada pelo presidente do Instituto Vital Brasil, Oscar Berro. Ele abriu os envelopes lacrados na presença dos jornalistas.
“O caso mudou a rotina do instituto. O ideal seria que ele fosse divulgado após os testes. Houve muito boato”, confessa Berro.
Foi da boca dele que a mãe de Carlos Ramires da Costa soube que terá de prosseguir com as buscas pelo filho. Já Carlos Alberto não compareceu à delegacia.
Por não dispor de recursos para viajar até o Rio de Janeiro, ele havia decidido receber o resultado dos testes via fax, em Bauru. No entanto, surpreendendo até seus advogados, o supervisor de obras partiu para o Rio anteontem à noite junto com a equipe de um canal de televisão.
A imprensa e o País acompanham a história de Carlinhos desde o dia 2 de agosto de 1973, quando o garoto foi levado da casa dos pais, Zona Sul do Rio, por um homem armado. A mãe e quatro dos seus seis irmãos assistiram à cena.
Antes de fugir, o seqüestrador deixou um bilhete exigindo 100 mil cruzeiros de resgate, o equivalente a aproximadamente R$ 50 mil. A polícia montou uma operação para prender o bandido no local combinado para a entrega do dinheiro, mas ninguém apareceu para buscá-lo.
Desde então, o desaparecimento de Carlinhos se transformou em um mistério sem solução. Três pessoas chegaram a ser presas e apresentadas como responsáveis pelo seqüestro, mas a própria polícia assumiu dias depois que se tratava de um engano.
O pai de Carlinhos, João Mello da Costa, também chegou a ser apontado como suspeito e acabou preso, mas foi liberado por falta de provas. Ele se separou da esposa em 1976.
Em março do ano seguinte, uma irmã de Carlinhos apontou Sílvio Azevedo Pereira, funcionário do laboratório do pai, como autor do crime. Condenado a 13 anos de prisão, ele recorreu e foi absolvido.