A diminuição no quadro de professores concursados no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) levou um grupo de 50 alunos ao Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro da cidade, para protestar.
Munidos de faixas, cartazes, apitos, latas de alumínio e outros instrumentos capazes de fazer barulho, eles saíram da praça Rui Barbosa e caminharam por todo o Calçadão.
Durante o trajeto, de posse de um megafone, a aluna Renata Zuliani, 29 anos, do 2º ano de pedagogia, explicava o motivo do protesto. Enquanto isso, outros alunos distribuíam folhetos, nos quais diziam que estavam lutando por um ensino público de qualidade.
Segundo os manifestantes, a contratação de professores temporários (conferencistas) estaria prejudicando os estudantes.
Sem os professores efetivos, contratados em regime de dedicação integral, os alunos não têm a quem recorrer para orientação de pesquisas. Essa seria, na avaliação dos manifestantes, uma das desvantagens de se contratar apenas conferencistas.
A manifestação de ontem reuniu estudantes de pedagogia, psicologia, artes e química. Todos, de acordo com Renata, dos cursos noturnos. Segundo ela, essa teria sido a razão da quantidade reduzida de alunos presentes nos protestos. “Muitos trabalham no sábado de manhã e, por isso, não puderam participar”, justificou.
Em uma reunião com o diretor da Faculdade de Ciências, José Brás Barreto de Oliveira, na última quinta-feira, os alunos teriam ouvido que a contratação de professores temporários foi uma decisão da reitoria da universidade com o objetivo de diminuir custos.
Segundo Renata, os protestos vão continuar até que a reitoria se pronuncie sobre o assunto. Até lá, os alunos permanecerão fora das salas de aula, como uma forma de boicotar a aulas dos conferencistas.
Um levantamento da Unesp, feito no mês passado, mostrou que 21% dos 361 professores contratados para trabalhar no câmpus de Bauru se aposentaram recentemente ou entraram com pedido.