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Chances de sucesso variam de 27% a 50%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A medicina moderna dispõe de várias alternativas de tratamento para tentar viabilizar a gravidez para casais inférteis. Segundo os médicos especialistas em reprodução humana, as chances de sucesso com os métodos mais avançados é, em média, de 27%. Esse índice pode chegar a 50% se forem feitas várias tentativas, porém, não se consegue ultrapassar esse percentual.

De acordo com o urologista Aguinaldo Nardi, o ser humano é uma das espécies mais inférteis da natureza. O índice de fertilidade de um casal saudável que mantém relações sexuais no período da ovulação é de apenas 30%. “Isso tem uma explicação na sabedoria da natureza. Se o homem tivesse um filho para cada relação fértil, a Terra não teria espaço nem comida suficiente para tanta gente”, defende.

Ele explica que os tratamentos disponíveis contra a infertilidade só consegue atingir níveis semelhantes aos da natureza. “O que a medicina fez foi estudar o mecanismo natural da reprodução humana para entender onde surgem os problemas e tentar corrigir isso em laboratório, mas sempre imitando a natureza”, pondera.

Nesse sentido, o primeiro passo do tratamento é tentar corrigir as alterações orgânicas. É o caso da auxiliar de serviços gerais Lionéia Pompeu, 27 anos. Ela conta que tenta engravidar há dois anos. Como não consegue, procurou uma unidade básica de saúde.

“O médico disse que tenho falta de hormônios e que preciso dilatar o canal das trompas. Ele me receitou um medicamento e pediu que eu voltasse lá em maio. Estamos na expectativa”, comenta.

Corrigidas as alterações, o casal pode adotar algumas técnicas para otimizar suas chances de fecundação. Uma das possibilidades é a indução da ovulação. Usando medicamentos específicos, a mulher pode estimular seus ovários a produzir, ao invés de um, vários óvulos num único mês.

A técnica pode ser combinada com o coito programado: o médico determina, por meio de exames e cálculos, qual é a data mais provável para a ovulação, quando a relação sexual tem mais chances de resultar em gravidez.

Outra possibilidade é promover a chamada capacitação espermática. A técnica consiste em colher o sêmen e trabalhar os espermatozóides em laboratório para facilitar sua penetração no óvulo.

“Você pode colocar os espermatozóides preparados em laboratório diretamente na cavidade uterina da mulher, no período fértil já determinado, e deixar aguardar que a fertilização ocorra naturalmente. Essa é a técnica da inseminação intra-uterina”, explica Nardi.

Outra opção é a fertilização in vitro. Depois de induzir a ovulação, o médico colhe os óvulos e os coloca num tubo de ensaio juntamente com os espermatozóides capacitados e deixa numa estufa por dois ou três dias. Esta é a técnica do bebê de proveta.

O médico explica, porém, que esses procedimentos só podem ser realizados quando o homem produz e ejacula um número bom de espermatozóides com boa motilidade. Quando esse número é muito baixo, a melhor opção é a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (Icsi - do inglês).

De acordo com o ginecologista Eduardo Crivelari Baisch, especialistas selecionam um único espermatozóide dentre os milhões colhidos. “Essa escolha leva em consideração a morfologia e a motricidade das células. Usando critérios científicos, você seleciona aquele que teria as maiores chances de conseguir fecundar um óvulo em condições normais”, explica.

Esse espermatozóide é devidamente preparado e injetado no interior do óvulo com o auxílio de uma agulha microscópica. Geralmente, são fertilizados alguns óvulos, pois nem todos evoluem para embriões. Após alguns dias, os óvulos fertilizados são implantados no interior do útero. Mais uma vez, cabe à natureza permitir ou não que eles se fixem na parede uterina.

A costureira Maria Nilza da Silva Cruz, 35 anos, utilizou o método Icsi depois de quatro anos de tentativas frustradas. “Meu marido tinha contagem baixa de espermatozóides e com baixa motilidade. Fizemos a fertilização in vitro e eu engravidei”, conta. O menino Pedro Lucas nasceu há 11 meses.

Mas é importante reforçar que nem sempre o tratamento dá certo. Uma funcionária pública de 33 anos, que pede para não ser identificada, conta que sua tentativa foi uma grande frustração.

“Uma das minhas trompas não era permeável, a outra era normal. Meu marido tinha espermatozóides de baixa motilidade. Tentamos a fertilização in vitro, os embriões foram colocados, mas não deu certo”, lembra.

Ela ressalta que a expectativa era enorme em toda a família e mesmo entre os médicos. “A gente sempre acredita que vai dar certo. Quando soubemos do resultado foi uma sensação muito ruim, muito frustrante”, admite.

Mas a infertilidade do casal era parcial. Poucos meses depois da tentativa, a funcionária pública engravidou espontaneamente. “Eu entreguei na mão de Deus. Se Ele quisesse me dar um filho, viria no tempo d’Ele”, alega. Hoje, a menina Letícia está com seis meses de idade.

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