Propostas de trabalho nas área de música e teatro estão entre as aprovadas pela comissão julgadora para o primeiro período de 2004 do Programa Municipal de Estímulo à Cultura de Bauru. O resultado foi divulgado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) na última sexta-feira. No total, oito projetos foram beneficiados pela lei 5042/03 e foi definida a aplicação de R$ 142.578,14 do orçamento municipal para o seu desenvolvimento.
Agora, a Prefeitura Municipal de Bauru irá formalizar a contratação dos projetos aprovados, que terão a obrigatoriedade de cumprir todo o plano de trabalho apresentado.
O Programa Municipal de Estímulo à Cultura marca uma nova fase na área cultural da cidade. Ele estipula que a administração municipal poderá aplicar até 0,2% do orçamento do município, acrescidos ao orçamento da Secretaria de Cultura, em projetos com finalidade cultural.
A cada ano, a SMC divulgará duas datas para inscrições de projetos culturais, propostos por entidades da área cultural. A cada primeiro período, serão destinados dois terços do valor e no segundo período um terço restante.
Foram aprovados para o primeiro semestre deste ano os projetos: “Escolinha de Catira do Clube da Viola”, do Clube da Viola de Bauru, que tem por objetivo o resgate e a conservação da cultura regional, representada pela catira ou cateretê, através da formação de novos catireiros; “Hip Hop - Educando Para um Futuro Melhor”, do Núcleo Cultural Quilombo do Interior, que irá desenvolver atividades de arte e educação tendo o hip hop como instrumento; “O Canto Dessa Cidade Sou Eu”, da Associação Cultural Arte Viva, que irá desenvolver a potencialidade musical, através do canto do coral de crianças e adolescentes em 5 núcleos na cidade; “Simulacro”, do Núcleo de Teatro Contemporâneo da Sociedade Amigos da Cultura - Cia Sylvia Que Te Ama Tanto, um espetáculo que é resultado de pesquisa em linguagem contemporânea, que mistura elementos de várias áreas como teatro, dança, música e artes visuais; “Pé de Breque”, do Núcleo de Lazer e Recreação da Sociedade Amigos da Cultura, uma ludoteca ambulante que irá atuar em cinco praças da cidade com o objetivo de reintegrar as praças como espaço de lazer; “Arte Mural Popular”, do Biocentro, que pretende levar a arte mural a lugares públicos da cidade; “Prometeu É Fogo”, do Núcleo Grupo Ato da Sociedade Amigos da Cultura, espetáculo cujas apresentações irão percorrer dez bairros da cidade, em centro comunitários e escolas, com o objetivo de democratizar o acesso à produção teatral; e “Viva Cultura”, do Núcleo de Cultura Popular da Sociedade Amigos da Cultura, que irá desenvolver oficinas e atividades artísticas e culturais no Centro Comunitário do Núcleo 9 de Julho.
A comissão julgadora que escolheu os projetos foi composta por sete pessoas com experiência em criação, produção, crítica, pesquisa ou ensino cultural. Quatro foram indicadas pelo secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak: duas agentes culturais do quadro da SMC, Ariane Ribeiro de Barros e Roberta Mathias e Roberto Francisco Daniel, o Padre Beto, além do cineclubista, produtor e agente cultural José Augusto Vinagre.
Mais três pessoas foram escolhidas conforme o artigo 12 da Lei, por votação dos proponentes, a partir de uma lista indicada por entidades juridicamente constituídas, de caráter representativo das áreas artísticas, sediadas há mais de três anos no município.
A votação conduziu à comissão o diretor e produtor teatral Sivaldo Camargo, bacharel em dança, a animadora sócio-cultural do Sesc de Bauru, Patrícia Piquera, e a professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Dalva Aleixo Dias.
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Opiniões
Para Ariane, presidente da comissão julgadora, além dos objetivos da lei em incentivar a produção e a formação cultural, o mais importante é o papel, a participação das entidades culturais na gestão dos recursos públicos da cultura. “A lei não foi pensada para favorecer um ou outro produtor cultural, mas a sociedade, em seus diversos segmentos; a cidade viva, com suas potencialidades e carências”, diz segundo a assessoria da SMC.
Já o padre Beto comenta a importância dos critérios utilizados. “É fundamental, através da lei municipal, que a comunidade possa ter, cada vez mais, espaços onde ela mesma possa se descobrir como fonte de cultura e transformação social. A arte é um veículo de encontro com a realidade e de transformação dessa realidade, em busca de uma melhor qualidade de vida”.
A professora Dalva Aleixo Dias enfatiza a preocupação ética com que a comissão avaliou os projetos. “Além dos critérios da Lei, da viabilidade e clareza dos projetos, nos preocupamos como a verba pública seria distribuída. Outra observação constante foi que não houvesse exploração do produtor cultural pelo produtor cultural. O caráter de formação também foi pautado pela comissão, como forma de evitar abusos e solidificar propostas não eventuais”, explica.