Gália - A notícia de que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) conseguiu a posse para assentar 23 famílias na fazenda Santa Júlia, em Gália, animou os cerca de 600 sem-terra que estão acampados ao lado da fazenda Lutétia - outro imóvel que está em processo de desapropriação.
Eles estão acampados a cerca de três quilômetros da fazenda Santa Júlia. Com aproximadamente 130 famílias, o grupo chegou ao local há cerca de dois meses e vem aumentando a cada dia que passa.
O acampamento existe há oito meses e antes de chegar a Gália esteve em Presidente Alves, em uma área ao lado da rodovia Marechal Rondon.
Formado por pessoas de Pirajuí, Bauru, Marília, Lins e Promissão, entre outras cidades, o grupo aguarda uma resposta do Incra sobre a compra da fazenda Lutétia.
“É claro que (a compra da fazenda Santa Júlia) anima. Ficamos muito felizes com a conquista deles (sem-terra do acampamento vizinho). Sabemos das dificuldades que eles passaram, porque a luta e o objetivo deles e o nosso são os mesmos”, disse a acampada Rose Aparecida, 26 anos.
Segundo ela, enquanto a negociação entre o Incra e o proprietário da fazenda Lutétia não estiver concluída, as famílias, cerca de 130, não irão invadir a área. “Nós não queremos prejudicar ninguém”, afirmou.
Para o prefeito Ermano Piovesan (PSDB), a presença de tantos sem-terra na cidade é motivo de preocupação. Segundo ele, Gália não tem estrutura nem recursos para atender todos com cestas básicas, atendimento médico e remédios, por exemplo.
Apesar da preocupação, Piovesan revela que a procura dos sem-terra pelos serviços municipais tem sido muito pequena.
Quanto ao assentamento que será feito na fazenda Santa Júlia - o primeiro da cidade -, o prefeito disse esperar que ele seja produtivo, como prega a cartilha da reforma agrária.