Muito tem se falado e discutido a respeito da qualidade do ensino em nosso País. Fórmulas milagrosas são propostas, tais como aumentar o número de vagas nas universidades públicas para que todos tenham acesso a um ensino de qualidade e, o que é mais importante, gratuito. Porém, esse aumento quantitativo depõe contra a qualidade do ensino, uma vez que os cursos são criados sem contar com professores. Essa situação a qual me referi acima vem ocorrendo nos diversos câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em especial nos cursos de licenciatura (cursos responsáveis pela formação de professores).
Aqui no câmpus de Bauru, o curso de pedagogia vem sofrendo desde a sua criação, em 2002, com a falta de professores e laboratórios. O curso corre o risco de não ser reconhecido pelo MEC pela escassez de professores, pois além de não haver contratações, os professores-doutores que se aposentam não são repostos.
Os alunos estão passando por uma situação kafkaniana (Franz Kafka - escritor polonês que em seus livros descrevia situações absurdas pelas quais seus personagens passavam; aqui no Brasil vemos o cidadão envolto nessas situações diariamente). Após passarem pelo tormento do vestibular, acreditam que finalmente terão um ensino de qualidade e gratuito, logo vem a decepção!!! O argumento utilizado para explicar essa situação é a “falta de verbas”. Mas então, por que novos câmpus estão sendo criados?
Para fazer uma analogia, seria o mesmo que alguém que está com muita fome entrar em um conceituado restaurante e, após fazer o seu pedido, ser informado pelo garçom que na despensa do estabelecimento não existem os ingredientes para a sua preparação; aí, o garçom pede ao cliente para que tenha paciência, pois o gerente já está providenciando a compra dos itens em falta.
Dirceu Mosquete Júnior - RG 13.343.355 – Aluno do 3.º ano de pedagogia da Unesp-Bauru