Avaí – Um decreto do governo do Estado publicado na semana passada oficializou a criação de escolas estaduais indígenas em Avaí (40 quilômetros a Noroeste de Bauru).
O decreto regulamenta a criação das unidades de ensino nas aldeias Kopenoty, Nimuendaju, Ekeruá e Tereguá. Entretanto, na prática, apenas as duas primeiras aldeias têm prédio próprio construído para funcionamento das escolas de educação infantil e ensino fundamental, cuja inauguração está prevista para o próximo mês.
Até o ano passado, o ensino indígena estava sendo realizado em salas de aula provisórias, vinculadas ao município. Agora, de acordo com o chefe de posto da aldeia Kopenoty, Edenilson Sebastião, com o decreto do governo, as escolas serão administradas pelo Estado e terão participação nos recursos da educação, tanto para a contratação dos professores como para a compra de materiais permanentes.
“Depois do decreto, nós ainda temos uma longa jornada para organizar a unidade, o corpo docente e os demais funcionários que vão compor a escola”, diz. De acordo com ele, cada prédio deve atender aproximadamente 50 alunos.
Segundo a assessoria do governo do Estado, a Secretaria de Educação adotará as providências necessárias para definir os critérios de admissão ou designação de professores e do corpo técnico administrativo, com recursos do tesouro estadual.
Nas novas escolas, todas as ações terão o aval dos próprios índios e as aulas serão ministradas por professores indígenas, graduados em magistério. Além das disciplinas previstas no ensino fundamental, os professores devem desenvolver atividades voltadas para o resgate cultural de cada etnia (terena e guarani).
“Nós vamos buscar o resgate das tradições, da língua e história dos índios”, afirma o terena Mario de Camilo Iyu, chefe do serviço de assistência do escritório regional de Bauru da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Segundo ele, com a regulamentação do ensino indígena, a intenção é de que, no futuro, sejam construídas escolas em cada uma das cinco aldeias de Araribá.
De acordo com a assessoria de imprensa do governo, com ao decreto, ao todo 15 escolas passaram a ter o ensino indígena regulamentado no Estado.