Pesca & Lazer

Pescador quase morre em acidente


| Tempo de leitura: 3 min

Há quase 14 anos, o cozinheiro internacional aposentado Irineu Luzia Fernandes, 68 anos, quase perdeu a vida devido um acidente com o ferrão de um surubim-cachara. O irmão Fernando Lucilha Fernandes, 57 anos, também fazia parte do grupo de pescadores que seguiu para o rio Miranda, na Estação Salobra.

“Eu fui para cozinhar, pois não era pescador. Ficava no rancho do Zulindo preparando as refeições. A turma passou muito bem lá”, brinca Irineu. Porém, no terceiro dia, após o retorno do grupo, Irineu Fernandes resolveu arriscar. “Até então, eles não tinham pescado nada. O tempo não estava bom. Mas como eu não bebo e eles só estavam se divertindo, resolvi arriscar uma pescaria na beira do rio. No rancho mesmo”, lembra.

Ele pegou apenas uma tuvira e arremessou. Meia hora depois sentiu a puxada: uma cachara. “Briguei um tempo com ela e consegui tirar. Fiquei tão empolgado que resolvi levar o peixe para a turma conferir. Subi a barranca do rio com o peixe e fui pendurá-lo antes de chamar os amigos.”

Foi quando o acidente aconteceu. “Levantei o peixe para pôr no gancho e ele começou a se debater. O peixe se mexeu e com o ferrão me atingiu no peito.” Desesperado, ele não conseguia falar para pedir socorro. Foi quando um dos pescadores saiu e viu a cena e disse: “O que você está fazendo abraçando esse peixe?”

“Eu já estava com sangue na boca, desesperado!”, relembra Irineu Fernandes. Nesse momento, Fernando Lucilha comenta os erros do irmão. “Ele não poderia ter subido para o rancho com o peixe vivo, tinha que matar antes. Outra coisa, o peixe tem que ficar com a cabeça para baixo.”

Isso ocorreu perto das 23h, quando os pescadores saíram e conseguiram tirar o peixe. “Mas o ferrão ficou e doía muito.” Irineu foi levado para o hospital de Miranda, o que demorou mais de cinco horas, mas não havia recursos para o atendimento. “Eles tiraram o ferrão e disseram que eu deveria seguir para Campo Grande ou Bauru. Eu estava com perfuração na pleura, no pulmão e na outra pleura. O médico disse que nunca tinha visto um caso daqueles.”

O grupo, assustado, optou por Bauru. “Foram quase 12 horas de viagem, que eu pensei que iria morrer. Com o pulmão cheio de sangue, muita dor e quase sem conseguir respirar, voltei com meu irmão.”

Em Bauru, ele foi socorrido e submetido a uma cirurgia às pressas, teve que fazer punção e também uma transfusão de sangue. “O doutor Sebastião Benetti fez o atendimento e passei dois dias na UTI”, comenta.

Após meses de recuperação, Irineu programou sua vingança. Preparou o surubim-cachara de 8,5 quilos, que estava congelado desde o acidente, e fez um excelente jantar.

“Às vezes, ainda fecho os olhos e me vejo abraçado com aquele peixe e ele se debatendo. Pensei que iria morrer”, finaliza. Irineu fez uma cirurgia plástica para reduzir a cicatriz e teve perda de 20% do pulmão, o que faz com que ele não possa correr e nadar.

Comentários

Comentários