Tribuna do Leitor

Reflexão brasileira em Madrid


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Quando acordamos em Madrid, com 4 horas de diferença para o Brasil, 11 de março de 2004 parecia um dia normal e que nos renderia muito trabalho em atividades acadêmicas. Mas foi um dia que marcou a história do povo espanhol e dos estrangeiros que estão por aqui. Infelizmente, o terrorismo se espalha com sua representação mais catastrófica: a morte, de civis e de esperanças, sonhos e futuro de 200 pessoas. A morte de cidadãos que viviam em Madrid, presenciada por milhares de pessoas, nos tocou a alma numa reflexão profunda. Compreendemos que esse fato é fruto da troca do significado do diálogo e da democracia, pela morte e destruição. Analisando de perto, podemos dizer que a condição humana está se transformando, mas em quê???

No mesmo momento em que o mundo se estarrecia por ver o dia 11 de março, pensávamos nos 365 dias de pequenos pontos de 11 de março que vivenciamos em nosso cotidiano, que se transformam em miséria, fome, assaltos, seqüestros, enfim... Todo o mundo sofre com a violência, mas quais suas causas??? Pergunta essa que os teóricos e as teorias descreveram e descrevem inúmeras possibilidades, mas a resposta está no instinto humano, à medida que se oprime e se modifica com as abstrações políticas e materiais, esquece de todo o seu potencial de paz e qualidade de vida.

Viver o 11 de março em Madrid não significa somente presenciar um dos atos mais indignos da condição humana: alguém matar muitos ou muitos matarem muitos outros, mas significa também entender que algo precisa ser feito, não materialmente, mas na complexidade da história e objetivos humanos.

Professora Daniela Melaré Vieira Barros - Madrid

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