Tribuna do Leitor

A PAIXÃO DE UM DEUS


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Fiquei indignada com tantas besteiras que tenho lido aqui no JC, em relação ao filme “A Paixão de Cristo”. Fica claro que o filme ataca diretamente pessoas que vivem um “cristianismo light”, um cristianismo que não me incomode, que me permita viver uma vida paganizada e dúbia, depois, com muito favor, cumprir minha obrigação social semanal de “assistir” missa no domingo. O filme de Gibson é espetacular e não pode ser comparado com nenhum outro. É absolutamente fiel aos 4 Evangelhos e também às análises médico-científicas feitas no Santo Sudário. Não dá para “escolher” partes da Sagrada Escritura e deixar o que não me convém de lado. É hora de nós cristãos e principalmente católicos, assumirmos a mensagem de Jesus como um todo.

Tem algumas “antas” que querem ficar só com o Cristo que agrada, o Jesus do Sermão da Montanha, o Jesus manso pastor de ovelhas; o Cristo que seja “a minha” imagem e semelhança e que não me force a mudar em nada minha vida light. Essas criaturas esquecem do Jesus Cristo que chamou o homem que seria o primeiro Papa, Pedro, de satanás quando este manifestou sua rejeição pela morte de cruz e sofrimento atroz do Senhor: “Afasta-te de mim, satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Marcos 8,33 b).

Vazio e sem sentido, o filme deve soar às pessoas ou “antas” que levam uma vida dupla e que ao assistirem ao filme, lembram-se que todos em algum momento serão submetidos à prova de fidelidade. Padre Léo SCJ, da TV Canção Nova, costuma se referir a estas criaturas, usando um versículo bíblico que ele tomou a liberdade de mudar um pouquinho, dizendo: “Antas, sempre tereis convosco” (João 12,8). Peço para que todos tenham cuidado com certas opiniões “antalógicas” e “bestológicas” que estão sendo expressas, pois para nós católicos, o que realmente deve contar é a opinião dos membros do Vaticano e estes aprovaram e apreciaram o filme em total unanimidade. (A opinião dos padres e cardeais pode ser conferida no site: www.zenite.org).

Os “cristãos light” deveriam literalmente rasgar suas bíblicas e “escolher” como se escolhe uma roupa nova, qualquer outra religião ou seita, não a religião de um Deus que ama infinitamente suas criaturas que se encarna e morre esmagado pelos pecados de todos nós. “Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório” (Isaías 53,10).

Para aqueles que não acreditam que o Cristo histórico tenha morrido dessa maneira bárbara, recomendo que leiam o livro do profeta Isaías... “tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana” (Isaías 52,14b). Após assistir ao filme de Mel Gibson, o cardeal Juan Luís Cipriani disse: “O filme é perfeitamente fiel ao que diz o Evangelho. A crueza fará muita gente refletir, em primeiro lugar sobre o imenso Amor de Deus e a grande Dor de seu sacrifício. No caso dos católicos, este conjunto de amor e dor nos faz ver como a cruz é a conclusão da última ceia e como todo esse sacrifício se renova em cada missa. Para os sacerdotes e para os que participam da missa será uma grande ajuda compartilhar o sacrifício do altar recordando estas imagens.” Assim como o próprio Jesus, esse filme é causa de contradição, é um separador de águas... de um lado cristão autênticos, do outro, “cristãos mal passados”... Assisti e assistirei o filme novamente! Recomendo a todos, pois é um indispensável presente de quaresma. “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8,34b). (Damaris Ribeiro Silva - RG. 30.833.020-1)

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