Regional

Rebelião em Botucatu deixa um morto

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - O detento Gilberto Tonheiro Barbosa, que havia sido preso na quinta-feira passada por falta de pagamento de pensão alimentícia, foi a principal vítima da rebelião registrada anteontem na Cadeia Pública de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru).

Ele foi atingido em várias partes do corpo por golpes de estiletes, desferidos pelos próprios presos, e morreu no pátio da cadeia antes de ser socorrido pelos policiais. Barbosa era da Capital, para onde o corpo foi levado para sepultamento.

Outros dez detentos também ficaram feridos, mas sem gravidade. Até ontem quatro ainda permaneciam internados no Hospital das Clínicas, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no distrito de Rubião Júnior.

A rebelião começou por volta das 12h30 e só foi totalmente controlada cerca de quatro horas mais tarde pelo pelotão de choque da Polícia Militar. Participaram da operação cerca de 50 policiais, entre civis e militares.

Segundo informou a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária, a rebelião foi uma forma que os presos encontraram para protestar contra a superlotação da cadeia.

Com capacidade para abrigar 64 pessoas, o local estava com 185 em 11 celas. Além de ter matado um detento, os rebelados queimaram os colchões, fizeram outros presos de reféns e ainda destruíram praticamente toda a cadeia.

O local teve de ser interditado e todos os presos foram transferidos para a Penitenciária 1 de Avaré. De lá, eles seriam levados para outras cidades, entre elas Jaú.

Segundo a assessoria de imprensa, não há previsão de quando a cadeia de Botucatu voltará a funcionar. Ninguém da Delegacia Seccional de Polícia e nem da cadeia quis se pronunciar sobre o assunto ontem à tarde.

De acordo com o diretor da P1 de Avaré, Fernando Thomazela, até que as transferências sejam concluídas, os presos ficarão em celas individuais. Segundo ele, as vagas nos presídios da região estão sendo solicitadas pela Seccional de Botucatu.

Os presos que já estavam condenados deverão ser transferidos para as penitenciárias.

O delegado J.J. Cardia, que responde interinamente pela Delegacia Seccional de Bauru, disse ontem que nenhuma vaga havia sido solicitada para as cadeias da região. Segundo ele, as solicitações geralmente são feitas diretamente à direção dos presídios, pela própria Secretaria de Administração Penitenciária.

Os líderes do motim, segundo informou a assessoria de imprensa, ainda não foram identificados. Eles poderão responder por danos ao patrimônio público, homicídio e tentativa de homicídio.

Negociação

Segundo o tenente Fabiano Thomassian, um dos comandantes do 12º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), a negociação com os presos rebelados foi tranqüila. Segundo ele, não houve a necessidade de utilizar munição química para controlar o motim.

A maioria aceitou ir para o pátio para que o pelotão de choque pudesse entrar. Os presos que preferiram ficar nas celas foram retirados assim que os policiais entraram no pátio.

Os detentos tiveram de tirar a roupa e permanecer sentados e com a mão na cabeça, enquanto a PM vistoriava as celas. Na revista, os policiais encontraram 14 estiletes feitos com barras de ferro, uma faca e uma talhadeira - ferramenta usada para quebrar cimento.

As transferências para a P1 de Avaré começaram a ser feitas por volta das 23h30. Segundo Thomassian, nenhum incidente foi registrado.

A última rebelião registrada na cadeia de Botucatu foi em 1997. Na ocasião, relembra o tenente, três presos foram mortos. Desde então, o local havia registrado duas fugas, mas nenhuma rebelião, até anteontem.

Segundo o policial, as revistas nas celas são feitas periodicamente a pedido do delegado e diretor da cadeia Júlio Teixeira, do 1º Distrito Policial.

O delegado, aliás, foi o único policial ferido na operação. Ele caiu do telhado da cadeia, enquanto fazia uma vistoria do alto do prédio. Teixeira fraturou o braço.

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Jaú receberá 12 presos

Dos 185 presos transferidos para a Penitenciária 1 de Avaré, 12 serão levados para a Cadeia Pública de Jaú. A informação foi confirmada ontem pelo delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Seccional de Polícia de Jaú.

Ele argumentou que essa é uma forma de colaborar com a Polícia Civil de Botucatu até que a cadeia daquela cidade seja recuperada e tenha novamente condições de receber os presos.

Segundo Valencise, só irão para Jaú presos provisórios. Eles ficarão em celas separadas dos demais detentos, que já estão na cadeia.

A transferência deverá ser feita a qualquer hora. Ela foi definida diretamente entre Valencise e o delegado Edmundo Lellis, que responde temporariamente pela Seccional de Botucatu. O titular, Tadeu Campos de Castro, está em férias.

Segundo Valencise, não foi estabelecido um prazo para a permanência dos presos em Jaú.

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