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Centrinho vai ajudar hospital do MT

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

O Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais da Universidade de São Paulo, o Centrinho, deu ontem um passo importante na tentativa de descentralizar seu atendimento e de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes, especialmente daqueles que vêm de outros Estados para serem atendidos na unidade, em Bauru. O superintendente do hospital, José Alberto de Souza Freitas, assinou um protocolo de intenção de convênio com o governo do Mato Grosso que prevê, num primeiro momento, o treinamento e capacitação da equipe profissional para o Hospital Regional de Cáceres (a 200 quilômetros de Cuiabá).

Atualmente, o Centrinho atende cerca de 800 pacientes do MT, que viajam de 1 mil a 1.400 quilômetros até Bauru quando recebem atendimento. Com a descentralização do atendimento ambulatorial e do acompanhamento, a unidade teria maior agilidade no atendimento de novos pacientes. Segundo o secretário de Estado da Saúde de Mato Grosso, Marcos Henrique Machado, a intenção final do convênio é a instalação de uma Unidade do Centrinho em Cáceres.

“Este acordo permite a capacitação dos nossos profissionais e o atendimento dos pacientes dentro de nosso próprio, Estado. Cáceres tem um polo de saúde bem estruturado e faz a ligação das rodovias com os Estados de Rondônia e Acre, então a finalidade é alcançar toda esta demanda e ainda pacientes da Bolívia, Peru, Chile e outros países da América do Sul”, observa o secretário.

A previsão é de que a estrutura física esteja totalmente implantada no Hospital Regional de Cáceres até o final do ano. O diretor da instituição, José Esteves de Souza Júnior, explica que a equipe da unidade passará inicialmente por um treinamento para atendimento de problemas auditivos, e posteriormente, serão capacitados para cadastrar e acompanhar os pacientes que já passaram por cirugia no Centrinho. “Numa fase futura, não descartamos a possibilidade de ter até mesmo um centro cirúrgico especializado”, aponta.

De acordo com o superintendente do Centrinho, o acordo faz parte de um plano de descentralização, principalmente, do atendimento e acompanhamento dos fissurados depois da cirurgia. “A população tem dificuldades econômicas, o que tem feito o índice de ausências (nas consultas e retorno) crescer de maneira assustadora, apesar de todos os nossos esforços. O acompanhamento da etapa de crescimento e desenvolvimento do fissurado é fundamental, e as pessoas que não têm seqüência no tratamento apresentam seqüelas estéticas e funcionais, que representam limitação educativa e social”, explica.

Freitas comenta que já houve iniciativas de descentralização em outras cidades, como Manaus (AM), Vitória (ES) e Londrina (PR), mas é a primeira vez em que um convênio é firmado com um governo estadual para a implantação do serviço. “Em hospitais gerais, as crianças ficam expostas à curiosidade. Aqui no Centrinho, os pacientes e as mães convivem entre si e têm mais esperanças. A descentralização é o caminho de irmos ao encontro deles”, diz.

Na opinião do deputado federal por Mato Grosso Pedro Henri Neto (PP), que participou da assinatura do convênio, o avanço tecnológico e científico desenvolvido pelo Centrinho ao longo dos anos deve ser expandido para todo o País, e os acordos com outras unidades da federação possibilitariam esta ampliação.

“Nós achamos interessante a experiência de não centralizar as atividades em grandes centros urbanos, mas sim em cidades alternativas a eles. Cáceres dispõe da infra-estrutura necessária para abrigar o que pretendemos instalar. Serão cerca de 3 mil pacientes atendidos por este acordo”, afirma o deputado.

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Novo hospital espera receber mais R$ 15 mi

O superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho), José Alberto de Souza Freitas, aguarda para este semestre verba de R$ 5 milhões para a continuidade e finalização da do novo hospital da instituição, em construção desde 1989. “Estes são recursos já consignados em resto a pagar do Estado. No orçamento estadual para 2005, foram consignados mais R$ 10 milhões em orçamento para a obra”, comenta.

O novo hospital tem 11 andares em 24 mil metros de área construída, e contará com 200 leitos e oito salas cirúrgicas. Para a finalização, ainda faltam 35% da construção civil, 32% das instalações hidráulicas, 43% das instalações elétricas e o acabamento.

A previsão inicial dos custos para o término da obra era de R$ 15 milhões, porém Freitas observa que espera mais recursos e parcerias com a iniciativa privada para equipar a unidade. “Também queremos construir um novo prédio, que sirva como hospital-dia e abrigue os pais dos pacientes, que vêm como acompanhantes e precisam ficar em pensões e hotéis da cidade. Esta unidade também ficaria dentro do câmpus, para o paciente estar por perto no caso de qualquer emergência”, diz.

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