Bairros

Conseg lista 215 casas abandonadas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

As constantes reclamações sobre a grande quantidade de residências invadidas ou abandonadas nos conjuntos habitacionais de Bauru levaram o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Noroeste-Oeste a realizar um levantamento para verificar os locais onde a situação é mais crítica.

O presidente do Conseg, Osvaldir Martins, o Ticão, está percorrendo alguns núcleos habitacionais da cidade para constatar o problema. Ontem à tarde ele esteve no Joaquim Guilherme. “O nosso estudo mostra que 215 das 425 casas do bairro estão irregulares”, afirma.

Em uma das residências visitadas por ele, na rua Antônio Luiz Buzolin Júnior, a situação de abandono pode ser verificada logo na entrada, já que a porta do imóvel foi arrancada. No interior da casa, a fiação elétrica desapareceu e a sujeira se acumula nos cômodos.

A dona de casa Márcia Correia Gerônimo, que mora ao lado da residência, conta que a insegurança é a principal preocupação dos vizinhos. “A casa vive sendo invadida e até um cádaver já foi encontrado enterrado no quintal”, relata.

Segundo o presidente do Conseg, o órgão pretende encaminhar o relatório que está sendo elaborado à Caixa Econômica Federal (CEF), financiadora do núcleo. “Ela precisa tomar providências para que esse problema tenha uma solução. Também vamos enviar uma cópia para a Promotoria”, revela.

Martins afirma que outros conjuntos habitacionais enfrentam uma situação parecida com a do Joaquim Guilherme, como os núcleos Gasparini, Nova Bauru e Colina Verde.

Um morador da rua Mário Fernandes Spagnol, no Núcleo Nova Bauru, que pediu para não ser identificado, reclama das invasões. “Eu pago as minhas prestações em dia e tenho o mesmo direito de morar na casa do que as pessoas que simplesmente se apoderaram dos imóveis”, protesta.

Ações

O gerente de mercado da CEF, Wanglei Rodrigues Tau, afirma que não é possível informar o número de imóveis financiados pelo banco que se encontram abandonados ou invadidos.

Segundo ele, a retomada de um imóvel pelo banco começa quando o mutuário deixa de pagar a segunda prestação seguida. “A partir daí, iniciamos o procedimento de cobrança, primeiro administrativamente, na tentativa amigável de recuperar o crédito, e depois judicialmente”, declara.

Ele explica, porém, que há muitos casos em que o mutuário perde a casa por não pagar as prestações e continua morando no imóvel. “Também há situações em que a residência está ocupada por outra pessoa para quem o mutuário a repassou”, relata.

Quando isso ocorre, segundo Tau, a ação de despejo não é movida pela CEF, mas sim por quem adquire o imóvel nos leilões públicos ou através de corretores credenciados.

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Cohab

O presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Rubens de Souza, afirma que os conjuntos habitacionais entregues pela empresa não enfrentam os mesmos problemas de invasão e abandono verificados em núcleos da Caixa Econômica Federal (CEF).

Segundo ele, a Cohab já construiu 18.053 unidades habitacionais na cidade e há apenas seis casos de ocupação irregular registrados pela companhia.

Para Souza, essa diferença tem uma explicação simples. “A direção da CEF está em Brasília e a da Cohab fica em Bauru. Isso torna o trâmite mais rápido”, opina.

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