Articulistas

Tecnologia e paz


| Tempo de leitura: 2 min

Os atentados de 11 de março, em Madri, na Espanha, e o acirramento crescente das tensões e violência no Oriente Médio escancaram, mais uma vez, a fragilidade das relações internacionais, reacendendo a insegurança em distintas regiões do Planeta. Isto prejudica os esforços de retomada do crescimento econômico, em particular nos países desenvolvidos. Assim, barreiras protecionistas, subsídios e outras práticas restritivas, que tanto prejudicam as nações emergentes, tendem a ser mantidas, senão agravadas.

Diante disso - e mais do que nunca -, os países da América Latina devem permanecer unidos, somando esforços para enfrentar o acirramento da concorrência e a retração dos mercados. Esta estratégia é muito válida para a indústria gráfica, constituída, em nosso Continente, por cerca de 42 mil empresas, que empregam aproximadamente 500 mil trabalhadores. É um respeitável parque empresarial, cujo potencial de crescimento no mercado globalizado será mais efetivo à medida que houver sinergia, cooperação, desenvolvimento tecnológico e de recursos humanos e articulação nacional e internacional.

Nesse sentido, é imprescindível a atuação da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf), cuja responsabilidade é cada vez maior em contribuir para o reposicionamento estratégico do setor, considerando a globalização, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o delicado cenário político mundial. A entidade contribui para a soma das virtudes, energia e capacidade das gráficas. Também é fundamental o trabalho do Centro Interamericano para Inovação, Formação e Desenvolvimento Tecnológico da Indústria da Comunicação Gráfica (Cifag), organismo da Conlatingraf responsável por coordenar a formação de recursos humanos e o incremento tecnológico.

A indústria gráfica da América Latina responde por 5% do faturamento global do setor. Esta participação, ainda modesta, indica grande potencialidade do Continente, que abriga 17% das gráficas do Planeta. A região, proporcionalmente, vem acumulando significativos índices, como o de crescimento de papel, que chegou a 6,7% entre 99 e 2000 - o que corresponde a mais do que o dobro na comparação com o consumo mundial, que avançou apenas 2,9%. Outro indicador do potencial de crescimento do setor no Continente: cerca de 57% de toda a verba publicitária, na média mundial, são canalizados à impressão; na América Latina, a impressão detém cerca de 39% das verbas publicitárias.

Os números demonstram com muita clareza o potencial de mercado e de expansão da indústria gráfica latino-americana. Para isto, é importante capitalizar os resultados das ações realizadas pelas entidades de classe nacionais e a Conlatingraf. Em clima de cooperação e solidariedade, nosso Continente amplia suas oportunidades de progresso. Em contraste com as tensões e o cenário belicoso hoje existentes em vários países, a somatória da paz, tecnologia de ponta e recursos humanos qualificados pode ser um atalho rápido e seguro para o desenvolvimento da América Latina.

O autor, Max Schrappe, é presidente da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica, do Conselho Consultivo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica.

Comentários

Comentários